1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Tom Hiddleston encarna o ícone do country Hank Williams

- Atualizado: 21 Março 2016 | 21h 06

Semelhança física ajudou britânico a reviver o talento e as dores do americano, em 'I Saw the Light'

A história da vida de Hank Williams é muito triste; dá para perceber pelos nomes de suas músicas. Entre elas, I’m So Lonesome I Could Cry (Estou tão só que tenho vontade de chorar, 1949), Why Don’t You Love Me’ (Por que você não me ama, 1950), Cold, Cold Heart (Coração frio, 1950) e Your Cheatin’ Heart (Seu coração traidor,1953).

Tom Hiddleston, que vive o ícone da música country em I Saw the Light, escrito, produzido e dirigido por Marc Abraham, que deve estrear no Brasil em 30 do junho, é um homem muito mais feliz, com três superproduções de Hollywood no currículo e alvo de boatos de que será o próximo James Bond.

E aceitou o papel quase como um desafio. Por telefone do hotel que ocupa no Vietnã, onde está concluindo Kong: Skull Island, o ator de 35 anos explica: “Marc Abraham estava vendo Cavalo de Guerra, de 2011, em que faço um oficial da cavalaria inglesa, e disse, ao perceber a semelhante incrível entre nós dois: ‘Este é o Hank’”. 

Na Páscoa de 2014, Hiddleston, Abraham e o diretor musical do filme - Rodney Crowell, ele também um nome famoso do country, não só pelo trabalho de dupla com Emmylou Harris, mas por ter sido genro de Johnny Cash - se reuniram para discutir a interpretação do ator como Williams.

Na tela. Ator inglês é o rebelde e atormentado cantor
Na tela. Ator inglês é o rebelde e atormentado cantor

“Numa hora, perguntei a Rodney: ‘Quero que você me diga se tenho cacife para fazer o filme’. Ao que ele respondeu: ‘Você sabe cantar, tocar?’, respondi que não tinha certeza, mas, de repente, estava tocando Long Gone Lonesome Blues e Rodney estava sorrindo”, lembra.

I Saw the Light mostra como Williams compôs dezenas de músicas, incluindo as 11 que emplacaram o topo da parada country, antes de sua morte precoce, de insuficiência cardíaca, aos 29 anos, entre 31 de dezembro de 1952 e 1.º de janeiro de 1953.

“O Marc queria um ator que soubesse cantar e não um cantor que soubesse atuar, mas, acima de tudo, fazer a conexão entre a inspiração e a força das composições de Hank com seus relacionamentos”, explica o britânico que começou a carreira no teatro londrino e foi considerado a maior revelação do Prêmio Olivier, de 2008.

Williams e vários de seus colegas do country serviram de inspiração não só para a versão contemporânea do gênero, mas também o rock e até o R&B.“Aquela época da música country teve um impacto profundo na nossa cultura. Basta ouvir Bruce Springsteen ou Bob Dylan falando de suas influências musicais, que remetem a Hank. Não haveria Rolling Stones sem ele. Honky Tonk Women (1969) nada mais é que uma adaptação de Honky Tonk Blues (1952) para o rock britânico.”

“Outro dia, no set de Kong, tinha alguém tocando Willie Nelson e John C. Reilly comentou: ‘Willie é um daqueles caras que basta abrir a boca para despejar a verdade’. Acho que o mesmo vale para Hank.”

Williams teve uma vida amorosa turbulenta: casou-se com Audrey Sheppard (Elizabeth Olsen) quando tinha apenas 21 anos; o relacionamento dos dois era competitivo, principalmente quando ela começou a ambicionar uma carreira própria. Tiveram um filho, Hank Williams Jr., mas o divórcio veio oito anos depois. Williams teve uma filha póstuma, Jett, com outra mulher e se casou com uma terceira, meses antes de morrer, mas Audrey continuou sendo presença marcante. “Hank amava Audrey, o romance deles foi verdadeiro, mas eles brigavam demais.”

“Hank queria incluir Audrey em seu sucesso e ela queria também, mas um dos obstáculos foi o fato de ela não entender que não tinha o talento dele. Era triste para um, e delicado para o outro, que até tentou explicar, mas ela não aceitou.”

Mesmo interpretando Williams, Hiddleston não toma partido ao analisar o casamento. “Hank era um gênio, mas também um homem muito difícil de conviver. Era alcoólatra, negligente e rebelde; sob vários aspectos era irresponsável e atormentado por muitos demônios que, no fim, o destruíram. Audrey tentou ajudar, mas acabou se afastando.”

Quem haveria de não querer interpretar um personagem tão intenso, mesmo que as filmagens acontecessem em apenas 38 dias e o orçamento fosse modesto? “Quando vi o roteiro, não pude aceitar o papel. Quis primeiro me transformar nele, fisicamente, encontrar seu som dentro de mim e transmitir a força de sua música.”

Sobre o boato insistente de que vá assumir o papel de 007, Hiddleston faz questão de negar. “Todo ator britânico que estreia um filme, começa logo a ser considerado o próximo James Bond. Mas é muito lisonjeiro entrar nessa lista.”

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em CulturaX