Divulgação
Divulgação

Substituição de Kevin Spacey em filme pode ser precedente valioso

O maior prejuízo poderia vir dos novos trailers, cartazes e da pós-produção

AFP

13 Novembro 2017 | 08h22

Com uma Hollywood abalada pela sequência de denúncias de assédio sexual, os estúdios observam o corte e a substituição de Kevin Spacey de seu último filme como uma audacioso, mas arriscado precedente para lidar com esse tipo de escândalo.

A Sony e o cineasta Ridley Scott foram elogiados por terem retirado o ator, de 58 anos, de Todo o Dinheiro do Mundo, mas, com o lançamento previsto para daqui a apenas seis semanas, essa decisão pode resultar cara.

"A Sony pôs as pessoas na frente dos lucros com a sua decisão de retirar Spacey de um filme a apenas semanas de seu lançamento", disse à AFP Jeetendr Sehdev, especialista em Hollywood e autor de vários best-sellers.

"O estúdio estabeleceu um novo padrão para Hollywood, e isso é inspirador", acrescentou.

Spacey será substituído por Christopher Plummer no papel do milionário americano J. Paul Getty, na história sobre o sequestro, em 1973, de seu neto adolescente John Paul Getty III.

Conhecido pelo seu papel de 1965 como o Capitão Von Trapp em A Noviça Rebelde, Plummer, de 87 anos, foi supostamente a primeira opção de Scott, mas este foi pressionado a escolher um nome mais famoso.

Uma mãe de Massachusetts acusou Spacey, nesta semana, de ter abusado sexualmente de seu filho de 18 anos na ilha de Nantucket no ano passado.

** Em 1979, Meryl Streep acusou Dustin Hoffman de assédio

Spacey também foi acusado de tentar estuprar uma criança de 15 anos em Nova York e de avançar sobre o ator Anthony Rapp décadas atrás, quando este tinha 14 anos.

Sem precedentes. Embora não seja a primeira vez que cineastas se viram obrigados a tomar decisões rápidas de mudanças em elencos, um movimento tão audaz por motivos não criativos em um filme terminado não tem precedentes.

A produtora TriStar, da Sony, já retirou o projeto do prestigioso festival de cinema AFI Fest em Los Angeles, mas a equipe de Scott continua trabalhando para cumprir o lançamento previsto de 22 de dezembro.

"Muitas celebridades se comportam mal, mas para o público é especialmente difícil perdoar acusações de agressão sexual infantil. Duvido que veremos um regresso de Spacey", acrescentou Sehdev, autor de The Kim Kardashian Principle.

** Kevin Spacey começou tratamento para viciados em sexo, diz jornal

"Kevin Spacey se tornou tóxico por uma boa razão. As audiências julgam as marcas segundo a rapidez com que agem. Se você valoriza sua reputação, deve se afastar de Spacey imediatamente", opinou.

Se a decisão de retirar Spacey foi simples, a corrida para terminar o filme a tempo da sua data de lançamento original é mais complicada.

A Sony e a Imperative Entertainment consideraram adiar o lançamento até 2018, segundo a revista Variety.

Mas queriam que o filme estreasse antes da série da FX Trust, de Danny Boyle, que também aborda o sequestro de Getty e que será lançada em janeiro.

** Netflix rompe com Kevin Spacey e personagem deve morrer em 'House of Cards'

Também se espera que o filme esteja entre os favoritos para a próxima temporada de prêmios, mas precisa chegar aos cinemas no fim do ano para ter uma oportunidade no Oscar.

Embora o engano digital nunca seja simples, a tecnologia está avançada o suficiente para que Plummer possa fazer grande parte de sua atuação contra um fundo verde, que depois seria sobreposta às imagens existentes.

Mas entende-se que a melhor opção é voltar a trazer os coprotagonistas Mark Wahlberg e Michelle Williams para que repitam suas cenas junto com o substituto.

Espera-se que os oito dias adicionais requeridos para que Plummer repita as cenas de Spacey custem cerca de 2,5 milhões de dólares, mas o maior prejuízo poderia vir dos novos trailers, cartazes e da pós-produção.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.