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Tobias Schwarz|Reuters

'Somos todos africanos', diz Meryl Streep no Festival de Berlim

Atriz vai presidir pela primeira vez o júri da mostra

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2016 | 18h53

BERLIM - Meryl Streep foi soberana na condução da coletiva do júri da Berlinale, na manhã desta quinta-feira, 11. É o primeiro júri da grande estrela de Hollywood, e logo na presidência. “Estou muito entusiasmada de estar aqui. Nunca fiz isso e vou ter de descobrir as exigências da função com meus colegas. Mas não deve ser difícil. Já dirijo uma casa, tenho filhos, marido. É muita gente para administrar. Sou uma boa 'listener' (escuto bastante). Mas no limite, o que vai fazer a diferença é que eles têm um voto cada, e eu tenho dois.”

'Eles' são os companheiros do júri - a fotógrafa Brigitte Lacombe, a diretora Malgorzata Szumowska, a atriz Alba Rohrwacher, os atores Clive Owen e Lars Eidinger e o crítico do The Guardian, Nick James. Ele destacou - “No passado, era frequente a presença de críticos em júris de festivais. Hoje tenho de agradecer à Berlinale pelo que virou uma exceção.” Meryl admite que só deu uma ordem a seus jurados. “Na verdade, foi um pedido. Para que não fizessem lição de casa. A gente vive num mundo super formatizado. Bastaria clicar na rede para obter informações dos filmes concorrentes. Mas isso poderia criar parti-pris. Convenci-os de que seria melhor assistirmos aos filmes com um olhar virgem. Descobri-los juntos.”

Madame presidente admitiu certo egoísmo. “Nem todos os filmes da Berlinale estreiam nos EUA.Vou poder me exibir para meus amigos.” Mais que defesa da diversidade, sua agenda é a inclusão. “Nenhuma diferença de gênero, raça ou crença.” Um jornalista provocou, fazendo que não via nenhum negro na mesa, numa referência ao debate que agita Hollywood (e o Oscar). “Olhem para vocês”, retrucou Meryl. “Eu também não vejo negros entre vocês”, e era verdade, pelo menos naquela plateia de coletiva. E ela aproveitou outra pergunta - sobre o que conhece de cinema chinês, africano? - para marcar posição. “Vi Timbuktu (de Abderrahmane Sissako) e gostei muito. A verdade é que, a despeito de todas as diferenças, temos muito em comum. Já interpretei muitas personagens e há um traço comum, que compõe nossa humanidade. Quanto à raça, somos todos africanos. Tudo começou na África.”

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