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Ron Howard e Tom Hanks voltam para 'Inferno', sequência de ‘O Código Da Vinci’

Dez anos depois da primeira adaptação cinematográfica para livro de Dan Brown, o novo episódio estreia nesta quinta-feira, 13

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2016 | 05h00

CINGAPURA - Já faz dez anos que o simbologista Robert Langdon, personagem criado pelo escritor Dan Brown, ganhou a forma de Tom Hanks em O Código Da Vinci, adaptação cinematográfica dirigida por Ron Howard. Em 2009, eles voltaram ao mesmo universo com Anjos e Demônios. E agora retomam a parceria em Inferno, estreia desta quinta-feira, 13, que começa com Langdon acordando sem memória num hospital italiano. O simbologista tem em sua posse um artefato misterioso e precisa desvendar seu segredo, que tem a ver com o Inferno descrito por Dante Alighieri em A Divina Comédia, e descobrir a razão de sua amnésia enquanto foge de pessoas que tentam matá-lo. 

Ao lado de Langdon na aventura está a médica Sienna Brooks (Felicity Jones), que o acompanha em sua jornada por Florença, Veneza e Istambul enquanto tentam impedir a liberação de um vírus que dizimará metade dos seres humanos. A diferença entre O Código Da Vinci e Inferno é, entre outras coisas, a tecnologia: há uma sequência inteira em que são perseguidos por um “drone”, que, por sua vez, foi filmada com a ajuda de um “drone”.

Ron Howard vê semelhanças entre a época em que Dante escreveu A Divina Comédia, o século 14, e os dias de hoje. “Como no Renascimento, estamos atravessando um período de intensa transformação na sociedade”, afirmou o diretor em entrevista ao Estado em Cingapura. “E é um movimento global. Isso está criando muita tensão e muita incerteza para as pessoas. Meu maior medo é que essa ansiedade seja canalizada para a procura de bodes expiatórios, para a intolerância... Vimos isso acontecer muitas vezes ao longo da história.” Para o diretor, essa é uma das razões do sucesso de Dan Brown. “São livros divertidos, interessantes, e ainda assim, por baixo disso, ele está provocando, trazendo à tona controvérsias que são estimulantes e fazem pensar.”

Ron Howard não tem outras sequências em seu currículo, a não ser as sagas com Robert Langdon baseadas nas obras de Dan Brown. Mas garante que cada caso é um caso. “Nós abordamos cada um desses projetos individualmente. Eu, Tom Hanks e Brian Grazer, que produziu os anteriores e é meu parceiro na produtora Imagine Entertainment, conversamos sobre cada um”, disse. “Penso sempre primeiramente no público de cinema.” 

Por essa razão, explicou, resolveu pular o terceiro livro da série, O Símbolo Perdido, lançado antes de Inferno. “O Símbolo Perdido é ótimo, vendeu bem, mas não sentia que podia oferecer algo ao público que levasse o personagem adiante, que fosse tão fresco, cinematográfico e empolgante para mim. Foi uma decisão pessoal. O projeto passou por diversos tratamentos de roteiro e nunca ficou parecendo algo novo enquanto filme.” Não que a possibilidade de uma adaptação esteja descartada. “Mas não controlamos os direitos nem somos obrigados a fazer esses longas por contrato.”

Um dos atrativos da saga é a mistura de realidade e ficção. Cerca de 70% das cenas de Inferno foram rodadas em locações. Mas o grande desafio, sempre, é driblar o fato de milhões de pessoas conhecerem a resposta para o enigma. “Desta vez, os relacionamentos são fundamentais na trama e nas viradas da história”, explicou Ron Howard. “Não era assim nos filmes anteriores. Você acaba descobrindo mais sobre Robert Langdon pelo caminho porque ele é parte do mistério neste caso.” E essa, ele espera, é uma recompensa boa o suficiente para os fãs. 

‘Meu maior medo é a ignorância’

Tom Hanks volta ao papel do especialista em simbologia Robert Langdon em 'Inferno', sua quinta colaboração cinematográfica com o diretor Ron Howard. Ele conversou com o Estado:

Qual sua experiência mais fisicamente exigente ao rodar Inferno?

Nos Jardins Boboli. Porque estávamos correndo daquele drone em cima de cascalho, ou naqueles paralelepípedos antigos, escadas. Mas até que acaba sendo divertido. É bom, te mantém em forma!

De que mais tem medo?

Ignorância. Tem muito dinheiro a ser ganho com a exploração da ignorância. Muito poder a ser conquistado utilizando o que é essa ignorância. A ideia de não ir além da resposta mais fácil, esse é o verdadeiro perigo. Acho que faz parte da natureza humana que 49% das pessoas fiquem totalmente felizes de permanecer ignorantes. Por sorte há outros 51% sempre querendo mais informações. E esses dois pontos porcentuais parecem nos manter num caminho levemente favorável. 

Então, você é otimista?

Acho que sou um pragmático. Não tiro conclusões precipitadas. Sempre cavo um pouco mais para procurar as causas. Estudo história e fico deslumbrado quando a história parece estar falando dos dias de hoje. E isso é verdade mesmo voltando bem para trás, para a Florença do Renascimento, no século 14, quando havia muita ignorância, mas também iluminamento. E qual venceu? O iluminamento acabou ganhando, não foi?

Muita gente acha que, em Inferno, Langdon é como Jason Bourne, porque perde sua memória, todo mundo quer matá-lo, e ele é a ultima esperança do mundo. O que acha disso?

Acho que os filmes de Jason Bourne se alimentam um do outro. Nossos filmes são histórias independentes uma das outras. Mais como as de Sherlock Holmes, com inícios distintos e em que o que aconteceu antes não importa tanto. Ninguém precisa ver os dois filmes anteriores para saber quem é Langdon. Mas a maior diferença mesmo é que Jason Bourne dá porrada, enquanto Robert Langdon leva porrada!

OS DOIS PRIMEIROS FILMES

'O Código Da Vinci'

O primeiro filme de Ron Howard na série com Tom Hanks na pele do professor Robert Langdon trata de uma conspiração para revelar ao mundo a existência da última descendente da união de Jesus Cristo e Maria Madalena. A garota, que é o segredo mais bem guardado na cristandade, é a francesa Audrey Tautou.

'Anjos e Demônios'

O segundo filme é de 2009, três anos depois do primeiro. Outra teoria da conspiração, agora orquestrada pelos Illuminati para eliminar cardeais em Roma e fazer, dentro do conclave, o sucessor do papa. Tom Hanks e Ayelet Zurer tentam evitar o apocalipse provocado pela antimatéria.

 

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