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Rodrigo Santoro fala da androginia da continuação de ‘300’

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

07 Março 2014 | 03h 00

Ator volta a viver Xerxes, que em novo filme aparece mais humanizado

Você já viu Xerxes em 300, de Zack Snyder, mas o personagem do imperador persa na saga dos guerreiros gregos que o enfrentam ganha novo capítulo – A Ascensão do Império – e uma importância maior no novo filme que estreia amanhã. Sob a direção de Noam Murro, Rodrigo Santoro tem mais tempo em cena, mais falas, mas o herói é agora Temístocles, interpretado por Sullivan Stapleton, que substitui Gerard Butler, o Leônidas. E entre os dois coloca-se Eva Green, como Artemísia, a verdadeira protagonista, a grega que, por vingança, vira a mais brutal das guerreiras persas. Ela não apenas coloca Xerxes no trono e o molda para a guerra, como tenta envolver Temístocles na sua teia de sedução. No começo de fevereiro, Rodrigo Santoro encontrou-se no Rio com o repórter do Estado. Logo em seguida, estaria embarcando para o Chile, onde termina de filmar, no Atacama, o longa sobre o resgate dos mineiros chilenos. Ele falou sobre Xerxes e sobre o novo filme, 33, que roda no Chile.

Xerxes já era uma entidade no primeiro filme, mas agora ele ficou ainda maior. E ficou mais feminino, também. Foi difícil fazer?

Foi uma ideia minha, que levei ao Noam. Xerxes, no filme, não é humano. Ele paira sobre todo mundo, como algo poderoso e cruel. Já era assim no primeiro, mas desta vez eu achei que seria melhor aprofundar o personagem. O desafio era justamente humanizá-lo. Propus ao Noam que ele fosse, não mais feminino, mas mais andrógino. É um personagem que carrega o masculino e o feminino.

A cena em que ele sai da água coberto com as joias e caminha com aquele movimento de quadris não deve ter sido fácil, não?

Se eu disser que foi difícil, vai parecer que estou querendo valorizar meu trabalho, mas foi. Desde o primeiro filme, a saga 300 é muito elaborada visualmente. Zack (Snyder, diretor do primeiro filme e produtor do segundo) sabe tudo de quadrinhos e o filme baseia-se na graphic novel de Frank Miller. A cor, a cenografia, tudo é feito com muito cuidado e é estilizado, e a gente tem de entrar nos planos como os personagens de HQs. É uma coisa muito física, e ao mesmo tempo você tem de representar como uma folha em branco. Nada, para representar tudo. Foi como voltar ao começo da minha carreira, quando fazia teatro. É um exercício permanente de imaginação. Você precisa se convencer, para depois convencer os outros. É mais complicado do que parece, mas faz parte.

Você tem muitas cenas com Eva Green, mas não com Sullivan Stapleton. A ideia inicial era adaptar Xerxes, mas a graphic novel de Miller não ficou pronta. Decepcionou-se por isso?

Claro que me decepcionei, mas não porque não seria o protagonista. É que o foco teria sido outro, se Xerxes fosse o centro da história. Com o foco deslocando-se para Artemísia e a relação dela com Temístocles e Xerxes, a coisa mudou. Eva (Green) é minha interlocutora em muitas cenas, mas a maior parte do filme é feita em blue e green screen (tela verde ou azul, sobre a qual se imprimem os efeitos). Além de não contracenar com ele, minha parte ficou muito concentrada, porque envolvia uma maquiagem que não podia ser refeita todo dia. Mas conheci o Sullivan, claro, e ele é um cara bacana.

A voz de Xerxes é muito marcante. Tem alguma coisa sua ali dentro?

É basicamente a minha voz. Já fiz dublagem, como você sabe, e o segredo da voz de Xerxes é que a minha voz foi trabalhada em diferentes graus nas pistas e faixas de gravação. Noam me pedia para falar em diferentes tons. Alguns muito graves, outros muito agudos. Foi outra coisa que deu trabalho, mas o personagem não poderia ter uma voz convencional.

Você está indo para o Chile, agora. É isso? Por quê?

Vou fazer o filme sobre o resgate dos mineiros chilenos, uma história que atraiu a atenção de todo o mundo em 2010. Vai se chamar 33, o número de homens soterrados na mina. O bom de fazer um personagem como Xerxes é que ele abre portas. Depois do primeiro filme, o público queria saber mais sobre ele. E isso me deu mais projeção. Tenho feito projetos na América Latina, você sabe, e estou bem otimista com esse filme. A diretora Patricia Riggen tem ideias bem interessantes. Antonio Banderas vai fazer o líder dos mineiros presos, Juliette Binoche será a protagonista feminina e eu vou fazer o ministro chileno que comandou o processo de resgate. É um papel bem diferente do Xerxes, bem diferente de tudo o que venho fazendo na minha carreira, e o bom do cinema é justamente isso. Tenho feito coisas que me tiram da zona do conforto. Gosto do desafio.

300 – A ASCENSÃO DO IMPÉRIO

Título original: 300: Rise of an Empire.

Direção: Noam Murro. Gênero: Ação

(EUA/2014, 103 min.). Classificação: 16 anos. 

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