Matt Sayles|AP
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Reformas provocam mais protestos nesta premiação do Oscar

Após revolta sobre diversidade de indicados para o prêmio, novas regras cortam votantes e causam discussão

Jake Coyle, AP

28 Janeiro 2016 | 19h14

Desde o anúncio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de mudança das regras para seus associados, respondendo aos protestos sobre a diversidade dos seus membros e indicados para o prêmio, há um novo alvoroço em Hollywood. Muitos integrantes afirmam que as novas medidas usam injustamente como bode expiatório membros mais antigos, insinuando que são racistas. Cartas furiosas chegaram à Academia. Revistas publicam artigos de seus membros. Ao mesmo tempo, ativistas de direitos humanos garantem que é vital tornar o Oscar e o setor mais inclusivos.

As reformas para abrandar a crise parecem ter piorado mais a situação. A entrega dos prêmios, em 28 de fevereiro, deverá ser menos uma noite glamourosa e mais um campo de batalha. “A discussão ficou muito corrosiva”, afirmou Rod Lurie, roteirista e diretor de Sob o Domínio do Medo e A Conspiração e membro da categoria de diretores da academia. “Ninguém da academia deveria exaltar qualquer acusação de racismo”, disse.

A entidade agiu rapidamente esta semana, com uma reunião de emergência do seu conselho diretor. Depois de dois anos consecutivos em que todos os indicados para o prêmio são brancos e os apelos para um boicote da entrega dos Oscars, a diretoria de 51 membros votou pela reformulação das regras para mudar a composição de cerca de sete mil membros exclusivos, praticamente todos homens brancos e mais velhos.

Antes, o direito de voto no Oscar era perpétuo, mas agora será restrita aos membros ativos no setor nos últimos 10 anos. Há também a meta de dobrar a minoria de mulheres da Academia até 2020. Alguns membros da academia, apesar de apoiarem a diversificação, afirmam que tirar o direito de voto de membros mais antigos pode ser considerado discriminação por idade e que eles não podem ser responsabilizados pela falta, nos últimos dois anos, de indicados pertencentes a uma minoria. O setor é que deve.

Estudos comprovam que as minorias estão sub-representadas em todos os níveis da indústria cinematográfica, desde os protagonistas nas telas aos executivos. Mas os últimos dois anos são considerados uma aberração na história recente do Oscar. Nos 10 anos anteriores, 24 dos 200 indicados para o prêmio de interpretação eram negros. (Mas bem menor foi o número de hispânicos ou asiático-americanos.)

William Goldstein, compositor e membro da Academia, criticou a entidade em um editorial no Los Angeles Times por “se render ao politicamente correto” e não levar em conta o quadro mais geral. “Os votantes que eles pretendem eliminar assistiu a mais filmes e tem mais contexto para julgar do que qualquer novato que acabou de se associar”, disse Goldstein.

Já Stephen Geller, participante da categoria de escritores e roteirista de Matadouro Cinco, acusou o presidente Cheryl Boone Isaacs de estigmatizar seus membros mais antigos.

A Academia respondeu ao furor em seu website. “Não estamos excluindo membros mais antigos. As regras não dizem respeito à idade. Na verdade, com base nas novas diretrizes, muitos membros veteranos da academia manterão os privilégios de voto.”

Marc Morial, presidente da National Urban League, o reverendo Al Sharpton e Melanie Campbell, presidente da National Coalition on Black Civil Participation, qualificam o plano da academia de “anêmico e inadequado”. “Hollywood pretende lidar com este problema como uma crise de comunicação e não de substância. O setor cinematográfico vê promessas serem feitas e eles apenas passam por cima da crise”, acrescentou Morial. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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