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Cultura

Walt Disney

Presidente da divisão de animação da Disney fala sobre 'Zootopia'

Andrew Millstein veio ao País para revelar segredos do filme

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

19 Março 2016 | 03h00

Em fevereiro, Andrew Millstein, presidente da Walt Disney Animation Studios, esteve em São Paulo para um encontro com jornalistas de cinema. Veio apresentar cenas de Zootopia – Essa Cidade É o Bicho e falar sobre a animação que estreou quinta, 17, no Brasil. O filme celebra duplamente a diversidade e técnicas digitais cada vez mais elaboradas de animação. Mais que uma cidade, Zootopia é uma utopia. Nela vivem somente animais, que se vestem e agem como humanos. Divide-se por regiões climáticas. A simples passagem de um túnel leva o espectador de uma paisagem seca como a do Saara para o frio úmido do Polo Norte. E é nesse mundo, que desembarca Judy Hopps.

Seu sonho é ser a primeira policial de seu gênero. Judy é coelha. Todos debocham dela, mas Judy consegue se formar na academia e segue para Zootopia disposta a virar uma policial investigativa de verdade. Há um lema em Zootopia – você pode ser o que quiser. Basta querer. Para provar que isso é verdade, Gazelle, a artista símbolo da cidade, canta Try Everything. Na verdade, quem canta é Shakira, que emprestou não apenas a voz para a canção como serviu de modelo para a personagem. Andrew Millstein destacou o aspecto ‘inserção social’ do filme. Para incrementar a história, Judy associa-se a um raposo, e você sabe que eles não são confiáveis. A ideia de Zootopia é que é preciso vencer preconceitos e desconfianças. Só assim a coelha e o raposo vão desmontar... Olha o risco de spoiler. O que você precisa saber é que o sonho de Zootopia está ruindo. Animais dóceis tornam-se predadores sanguinários. E tudo faz parte de um plano corrupto para destruir a liberdade e militarizar a utopia. A seguir, algumas das histórias que Millstein contou.

Realismo. Para criar os animais com a maior exatidão possível, os diretores Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush fizeram pesquisas apuradas. Foram duas viagens até a savana africana, com direito a vários dias de permanência para observar animais como leões, emas e girafas. Como andam, comem, mas isso não foi tudo. “Nossas equipes criaram programas avançados para reproduzir cor e textura dos mais diferentes tipos de animais. E ainda estudaram a dinâmica do vento sobre pelos e plumagens, para garantir rigorosa autenticidade.”

A cidade. Millstein contou que o visual de Zootopia envolveu arquitetos, urbanistas e artistas conceituais. “Para criar os diferentes climas, concebemos a imensa muralha que divide a cidade em áreas. No lado do deserto há um superaquecedor, no do polo um ar condicionado também gigantesco. E o espectador, com seu olho atraído para o conjunto, pode nem se dar conta, mas pensamos em todos os detalhes. Na parte tropical, a chuva não cai do céu, mas dos galhos das árvores que têm um sistema de irrigação semelhante ao usado para regar a grama dos jardins. O trem-bala colocou problemas interessantes quanto à perspectiva, mas nossos artistas já estão acostumados a resolver com as ferramentas da tecnologia digital. O mais divertido foi o metrô urbano. Para abrigar animais tão diversos, de girafas até ratos, foram criados três tipos de portas. De acordo com o tamanho, cada animal se utiliza da sua.”

Humor. “Nossas animações sempre se destacam pelo humor. Na cena em que Judy precisa descobrir o motorista pela placa de um carro, ela vai ao departamento de trânsito de Zootopia e descobre que os funcionários são... bichos-preguiça! Os movimentos superlentos contrastam com a aceleração de Judy. Nossos animadores se divertiam muito e esperamos que o público também.”

Shakira. “Ela ficou superanimada com o convite. Colaborou com Howard, Rich e Bush (os diretores) e deu sugestões preciosas que ajudaram a moldar Gazelle como representação dela mesma. E só o fato de a termos cantando o tema Try Everything, já é motivo de felicidade para nós.”

 

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