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"Oscar" brasileiro faz a festa no Rio

Agencia Estado

12 Setembro 2002 | 10h 22

Denzel Washington ganhou o Oscar em março. No ano passado, Matheus Nachtergaele ganhou o Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro. Como enfrentar o poder de síntese dos americanos, que conseguiram fazer da palavra Oscar um verdadeiro "abra-te Sésamo"? Como conseguir prestígio similar ao do prêmio outorgado pela hollywoodiana Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles? O duplo desafio será enfrentado - hoje, em noite de gala, no Theatro Municipal do Rio - pela recém-criada Academia Brasileira de Cinema. A nova instituição substitui o Ministério da Cultura (MinC) na missão de, a cada ano, entregar o prêmio máximo do cinema nacional. O MinC cuidou da tarefa nos anos 2000 e 2001. Fez duas festas no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. A primeira consagrou Orfeu, de Cacá Diegues. A segunda, Eu Tu Ele, de Andrucha Waddington. Com a saída do MinC do processo, a BR Distribuidora - empresa que mais apoio vem dando ao cinema nacional nos últimos sete anos - resolveu patrocinar a festa. Por isso, o prêmio trocou a palavra Brasil pela logomarca BR. Chama-se, agora, Grande Prêmio BR de Cinema Brasileiro. Com o passar do tempo, o prêmio verde-amarelo, de nome quilométrico, tentará nivelar-se a seus similares europeus e latino-americanos. O Cesar francês, o Donnatello italiano, o Goya espanhol e o Ariel mexicano são os mais conhecidos. A primeira festa do Grande Prêmio Brasil (a que premiou Orfeu) rendeu muita polêmica. Parte da imprensa só enxergou defeitos. Caetano Veloso, autor da trilha sonora de Orfeu, veio a público defender a cerimônia e lamentar a falta de auto-estima dos brasileiros. Ano passado, Bia Lessa comandou bela festa e o saldo na imprensa foi dos mais positivos. Só que em fevereiro (data das festas anteriores), a Academia Brasileira de Cinema ainda não estava formada. Só agora, em setembro, quando o País discute e prestigia Cidade de Deus (e as produtoras se inscrevem para disputar um sonhado Oscar de melhor filme estrangeiro), chega a hora de premiar os melhores do Brasil em 2001. Os filmes que têm mais indicações são Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho (visto por 150 mil brasileiros), e Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzki (visto por 400 mil). Também têm indicações significativas os filmes Domésticas, Xangô de Baker Street, Memórias Póstumas, A Partilha e Bufo & Spallanzani. O ritual - A cerimônia de premiação será comandada por Daniela Thomas e Felipe Hirsch, dois craques dos palcos. Ela é também diretora de cinema e grande cenógrafa. Por isso, assinará também o cenário cinematográfico do Theatro Municipal. O jornalista Marcelo Tas, aquele que perguntou ao cartola Nabi Abi Chedid qual seria sua próxima "jogada" (na Copa de 94), será o mestre-de-cerimônia. O maestro Sílvio Barbato, premiado ano passado pela trilha sonora de Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão, vai comandar a Orquestra Sinfônica do Municipal. Fernanda Montenegro e Marieta Severo, divas dos nossos palcos e telas; Lázaro Ramos, maior revelação black do novo cinema brasileiro; Julia Lemmertz, atriz-símbolo da retomada; Ana Beatriz Nogueira, Urso de Prata em Berlim/97; a dupla de repentistas Castanha e Caju, que enfrentou o Titanic em filme de Daniela Thomas e Walter Salles; o veterano José Lewgoy; Paulo José, o Macunaíma que virou Policarpo Quaresma, e José Dumont, operário de celulóide e dono de talento ímpar, se somarão na entrega dos prêmios aos vencedores. Lewgoy avisa que vai de smoking e espera que nenhum dos convidados - que vá entregar ou receber prêmio - apele para trajes inadequados. "Ah", diz com seu famoso mau humor, "neste país ninguém respeita a recomendação do traje black-tie". Para homenagear o cinema brasileiro, Daniela Thomas e equipe encomendaram imagens editadas especialmente para a cerimônia. O levantamento foi feito pelos pesquisadores Hernani Hefner, Carlos Alberto Mattos, Laís Rodrigues e Dudu Lachtermacher. O evento será transmitido ao vivo pelo Canal Brasil (Net/Sky), e reprisado no sábado, às 23 horas, pela TV Educativa-Rede Brasil. Depois da cerimônia, haverá festa para todos os convidados na Marina da Glória (com animação do DJ Jorge Luiz e da Orquestra Imperial).

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