Yasser Al-Zayyat/ AFP
Yasser Al-Zayyat/ AFP

Oscar 2018: diretores da animação 'Van Gogh' apostam em vitória sobre Disney e Pixar

'É tudo ou nada, eu quero a estatueta", declarou a polonesa Dorota Kobiela

AFP

02 Março 2018 | 11h40

Loving Vincent, o primeiro longa-metragem realizado inteiramente com pintura a óleo e que retrata em 65 mil quadros a história do famoso artista através de uma investigação sobre sua morte, disputará o Oscar, apostando em sua originalidade.

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A coprodução do Reino Unido e da Polônia tentará conquistar o prêmio de melhor animação contra produções americanas de alto orçamento. O filme custou apenas 5,5 milhões de dólares, ou seja, trinta vezes menos do que Viva - a Vida é uma Festa, da Disney, um dos seus quatro concorrentes.

"Claro, é tudo ou nada, eu quero a estatueta", declarou à AFP, sorrindo, Dorota Kobiela, diretora polonesa do filme, sentada em uma cadeira amarela como a Provence que seu pintor favorito Van Gogh retratava em seus quadros.

Alternativos. Seu marido, Hugh Welchman, é otimista. Dirigiu ao seu lado este longa-metragem único e antes trabalhou em Peter & The Wolf - curta que ganhou o Oscar em 2008.

"Nós somos a alternativa! Em geral, nossa categoria é dominada pela Disney e Pixar, mas tenho a sensação de que podemos ser uma das grandes surpresas deste ano", afirmou.

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Kobiela, também pintora, queria combinar suas duas paixões neste filme. A ideia era dar vida às pinturas de um pintor para contar sua história.

"O trabalho de Van Gogh se prestava maravilhosamente para esse desafio. Suas pinturas contam sua vida em detalhes, no dia a dia, na casa dele, no quarto dele e com seus amigos", conta em sua casa em Gdynia (norte da Polônia).

O filme é baseado em um roteiro original do escritor polonês Jacek Dehen e coloca em cena Armand Roulin, filho do carteiro de Arles (sul da França), que o mestre holandês pintou várias vezes.

O jovem duvida da hipótese do suicídio do artista e decide realizar sua própria investigação.

125 pintores. O desafio foi imenso, especialmente para os pintores que participaram do projeto. Em alguns estúdios localizados em Gdansk, 125 artistas de todo o mundo realizaram esse trabalho. Pintaram telas a partir de cenas filmadas por atores.

Assim, o filme é uma mistura de pinturas inventadas e as famosas obras de Van Gogh, como Ponte sobre o Sena em Asnières ou Noite estrelada.

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Para os 93 minutos de filme, eles tiveram que fazer 65 mil planos pintados à mão, um grande feito.

"O ritmo de trabalho foi muito lento, em média, um quarto de segundo do filme por dia", indicou a diretora, que passou sete anos trabalhando no projeto.

Somente para um segundo de filme era preciso 12 quadros em média, todos pintados à mão, um após o outro.

Um artista faz seis pinturas em média por dia, ou seja, meio segundo do filme para as cenas simples.

"Muitas vezes, na animação, temos o problema de que as expressões do rosto e o mimetismo dos personagens são limitados. Enquanto que com pintura a óleo, podemos ressaltá-las ainda mais se o retrato for pintado corretamente", explica Kobiela à AFP.

Mais de cinco milhões de espectadores viram o filme ao redor do mundo. Um sucesso que incitou o casal a continuar com a mesma técnica.

O próximo trabalho será um filme de terror pintado a partir das obras do grande mestre espanhol Francisco de Goya.

 

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