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Oscar 2016: e o compadre Iñárritu fez história no prêmio das pessoas brancas

Diretor mexicano levou estatueta de melhor diretor

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

29 Fevereiro 2016 | 20h23

Rock tenha esticado o que, no fundo, era uma única piada - a questão racial no Oscar, definido como ‘prêmio das pessoas brancas’ -, alguns momentos foram impagáveis e, tentando livrar a cara da Academia, expuseram o preconceito que ainda existe no cinema. Whoopi Goldberg invadindo como faxineira o set de Joy, Angela Basset celebrando o momento ‘black’ da festa, que era uma falsa homenagem a Jack Black e Sacha Baron Cohen, o melhor de todos - O Quarto de Jack é um filme sobre um monte de pessoas brancas num quarto. Hilário.

É curioso como o Oscar, tendo se tornado previsível, ainda provoca controvérsia. Meio mundo se surpreendeu com a vitória de Spotlight - Segredos Revelados, mas o longa de Tom McCarthy já vinha sendo a aposta certa de publicações como a revista Time. Aureolado pelo Sindicato dos Diretores, Alejandro González Iñárritu entrou para o seletíssimo grupo de cineastas que ganharam o prêmio da categoria dois anos seguidos.

Antes dele, venceram John Ford, em 1940 e 41 (Vinhas da Ira e Como Era Verde o Meu Vale), e Joseph L. Mankiewicz, em 1949 e 50 (Quem É o Infiel? e A Malvada). Passaram-se quantos anos - mais de 60 - e Iñárritu fez história como o primeiro latino a cravar duas vitórias seguidas como diretor - no ano passado, por Birdman, e agora, por O Regresso. Mas ele não emplacou também o prêmio de melhor filme e havia pouquíssima dúvida de que esse seria um Oscar dividido.

Brie Larson era fava contada como melhor atriz, por O Quarto de Jack, e Leonardo DiCaprio finalmente empalmou sua estatueta - ufa!- pela saga de Hugh Glass na velha fronteira (dos pioneiros) da América. O prêmio para Brie reconhece a produção independente, o de DiCaprio destaca um raro astro do cinemão que faz sua aposta, mesmo que às vezes equivocada, no cinema mais autoral.

O Oscar do compadre Alejandro, como o chamou o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, reconhece as dificuldades de um filme rodado em condições extremas e que demorou quatro anos para se viabilizar - foi o tempo que Iñárritu teve de esperar para ter DiCaprio. Spotlight ganhou pelo grande tema - a responsabilidade social da imprensa - e é bom, mas não é o melhor de verdade. O melhor - o operístico Mad Max: Estrada da Fúria - não levou porque Hollywood não tem coragem de premiar ação. Reconhecendo isso, como uma mea-culpa, a Academia deu a George Miller todos os prêmios técnicos que sustentam sua criatividade de grande visionário.

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