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Oliver Stone acha que discurso para cadeira vazia foi excessivo

'Achei desnecessariamente desrespeitoso', diz diretor que fez 'W', sobre o ex-presidente George W. Bush

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

29 Outubro 2012 | 20h35

Quando Oliver Stone conversou pelo telefone com o repórter - sobre Selvagens, seu longa adaptado do livro de Don Winslow -, Clint Eastwood havia acabado de manifestar seu apoio a Mitt Romney na convenção do Partido Republicano. Clint falou para uma cadeira vazia - a de presidente, na qual deveria estar sentado Barack Obama. A imagem não poderia ser mais eloquente como crítica de Clint (e dos republicanos, em geral) ao que consideram a ausência de gestão sobre os EUA. Stone não gostou do que viu.

"Achei desnecessariamente desrespeitoso e olhem que também fui muito criticado ao fazer W, sobre George W. Bush, só porque humanizei o presidente que, naquele momento, todo mundo preferia odiar. Acho que a gracinha, pois se tratou de uma piada, não honra o diretor (Clint), porque revela falta de visão. Você pode criticar a gestão dos democratas, mas a América não está à deriva e, sob Obama, recuperou muito do seu prestígio internacional. Até a economia anda melhorando. Clint não foi feliz", ele avalia.

Duas vezes vencedor do Oscar, como Clint - ganhou por Platoon e Nascido em 4 de Julho, o xerife de Hollywood por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro -, Stone encerrou com W sua trilogia sobre os presidentes norte-americanos, que começou com JFK - A Pergunta Que não Quer Calar e prosseguiu com Nixon. São filmes polêmicos, com os quais Stone reescreve a história dos EUA e fala de conspiração, Watergate, manipulação da mídia, etc. Desde que se iniciou na direção, e até antes, como roteirista - ganhou o Oscar da categoria por Expresso da Meia-Noite -, ele virou sinônimo de controvérsia.

O próprio Selvagens andou animando discussões acirradas. Stone, que nunca negou ser consumidor da erva - desde sua experiência no Vietnã -, teria feito o filme como parte de uma campanha pela legalização da maconha. "Que absurdo, de onde você ouviu isso?", ele perguntou durante a entrevista. "Consumo desde os anos 1960 e, neste tempo todo, nunca deixei de encontrar a boa erva. Conheço todas, das melhores às piores. O que me levou a fazer o filme foi outra coisa. Como o assunto me atrai, li o livro de Don (Winslow), que é uma grande reportagem, e imediatamente o filme se desenhou para mim. Suas possibilidades como linguagem e a chance de falar sobre economia, porque a droga criou um corredor na fronteira mexicana, com o qual os governos, e agora tanto faz que seja republicano ou democrata, não sabem como lidar."

O filme é sobre poder, dinheiro - e sexo. Stone diz que não pensou em Butch Cassidy, o western mítico de George Roy Hill, mas o triângulo formado por Blake Lively, Taylor Kitschy e Aaron Taylor-Johnson enche a tela com a beleza e o erotismo do trio. "São lindos, não?", e Stone ironiza - "É uma velha regra da indústria. O público se interessa mais por gente bonita. Não dá para falar da ensolarada Califórnia sem esses corpos dourados."

O repórter elogia a montagem fluida. "Alguns dos maiores diretores, entre eles (Stanley) Kubrick, dizem que cinema é montagem. Como roteirista, não minimizo a palavra, mas estabelecer a forma do filme, o ritmo, o tom, por meio da edição, é uma atividade muito prazerosa."

 

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