Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » 'O Regresso' leva o Globo de Ouro de melhor filme de drama

Cinema

'O Regresso' leva o Globo de Ouro de melhor filme de drama

Longa com DiCaprio é dirigido por Alejandro González-Iñárritu

0

Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2016 | 02h18

Depois de ganhar o Globo de Ouro de melhor roteiro no ano passado por Birdman - e perder o de direção para o Richard Linklater de Boyhood -, o mexicano Alejandro González-Iñárritu ganhou na madrugada desta segunda-feira, 11, o prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood por O Regresso. O western sobre o homem que busca vingança contra aquele que o deixou para morrer (e matou seu filho) é mais forte do que Birdman, que tem seus admiradores. O Regresso também venceu nas categorias de filme e ator. Leonardo DiCaprio é simplesmente poderoso no papel. O Regresso estreia dia 21 nos cinemas brasileiros.

Houve um momento - pouco antes da uma da manhã - em que o apresentador Ricky Gervais expressou o que passava pela mente do público que assistia à premiação do Globo de Ouro na TV. Não vai terminar nunca? Precisa ser tão comprida (a ‘festa’)? Quando ele disse isso, a cerimônia do Globo de Ouro, iniciada às 23 horas, já durava quase duas horas. Os correspondentes estrangeiros dividem as indicações de cinema entre ‘drama’ e ‘comédia ou musical’. Alguns acertos foram indiscutíveis. Kate Winslet foi a melhor coadjuvante por Steve Jobs. Divertida Mente, da Pixar, venceu como melhor animação. E Quentin Tarantino, ao receber o prêmio de trilha para o compositor de seu Os Oito Odiados - Ennio Morricone - cravou. Morricone é seu compositor preferido. Não de cinema. Mozart, Beethoven, Schubert - Tarantino colocou-o no plano desses ‘caras’. “Grazie, Ennio.”

Não houve dúvida - o inglês Ricky Gervais foi um apresentador hilário. Desde a abertura - oito minutos em que disparou piadas como tiros de uma metralhadora - ele riu de tudo e todos. Da fogueira da vaidade dos prêmios, da igualdade salarial para atores e atrizes e até citou Roman Polanski a propósito do abuso de menores por padres da Igreja Católica no drama Spotlight - Verdades Reveladas. Roman é perseguido até hoje e todos aqueles padres impunes... Ricky só exagerou quando disse que ganhou três (três!) Globos. Na verdade, ele foi indicado três vezes ao prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros, mas só ganhou uma - por The Office.

Alguns prêmios eram esperados, mas nem isso diminuiu o impacto do efeito que produziram. Sylvester Stallone foi o melhor coadjuvante pelo novo capítulo da saga do pugilista Rocky. O filme chama-se Creed e ‘Sly’ faz o treinador do filho de seu lendário oponente no primeiro filme da série, que John G. Avildsen dirigiu - Apollo Creed. Ele foi aplaudido de pé, e um dos mais entusiastas era... Quentin Tarantino. O Filho de Saul, do húngaro Laszlo Nemes, venceu na categoria de filme estrangeiro. Pode ser um filme duro de ‘gostar’, mas a forma como retoma o tema do Holocausto não é só original. É visceral, acachapante. 

Brie Larson foi melhor atriz de drama por O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson, sobre mulher que foi sequestrada e teve um filho no cárcere privado. O menino ganha a liberdade e o filme descreve sua viagem iniciática pelo mundo fora dos limites da prisão. Jennifer Lawrence, linda no seu longo vermelho, foi melhor atriz de comédia por Joy - O Nome do Sucesso, de David O. Russell. Ela agradeceu ao diretor dizendo que, toda vez que sobe ao pódio, é por ele. “Obrigado por me ensinar tanto, David.” Matt Damon foi melhor ator, de comédia ou musical, por um filme que não é um nem outro - a ficção científica Perdido em Marte, de Ridley Scott. O equívoco foi ratificado quando o próprio Scott ganhou seu Globo de Ouro como melhor diretor - de comédia ou musical. 

Uma menção especial para Denzel Washington. Ele recebeu o prêmio especial, entregue por Tom Hanks, com quem dividiu a cena em Filadélfia (e ganhou seu segundo Oscar no papel do soropositivo que briga na Justiça por seus direitos de cidadão). Além de o destaque ser merecido para um grande ator - e um astro de sucesso nas bilheterias -, o clipe com cenas de filmes que acompanhou a homenagem foi muito bem editado. Denzel apareceu em cenas de grande intensidade. Rindo, chorando, lutando. Mostrou o ator multifacetado que é.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.