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'O Pequeno Segredo' é ovacionado no Festival de Cinema do Rio

Longa criou polêmica na indicação para o Oscar

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2016 | 20h55

RIO - Havia gente brigando por ingresso para a gala de O Pequeno Segredo, segunda à noite, no Odeon. Há grande curiosidade na classe cinematográfica pelo longa de David Schurmann que atropelou Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, na disputa por uma indicação para o Oscar de filme estrangeiro. Único filme brasileiro entre os inscritos que não havia estreado, Segredo tornou-se alvo de uma teoria conspiratória.

Você já leu em toda a parte que o filme teria sido escolhido em represália contra o protesto da equipe de Aquarius em Cannes, denunciando, em maio, o ‘golpe’ em curso no País – era o teor dos cartazes que o diretor e elenco levantaram na escadaria do ‘palais’.

Os raros jornalistas que haviam assistido a Segredo demoliram o filme com veemência, avalizando a teoria da conspiração. A apresentação no Rio – após uma estreia protocolar no Rio Grande do Sul, para viabilizar a candidatura para o Oscar – deve ter lavado a alma do diretor. Walkíria Barbosa, da organização do festival, saudou o ‘grande filme’. A ovação foi estrondosa no final. Nem lá nem cá. O Pequeno Segredo não é o horror feito de banalidades e clichês que pelo menos um crítico apressado andou vendo. É bem feito, e Júlia Lemmertz é magnífica como a mãe. Mas a aposta da comissão do Oscar continua arriscada.

Um dos integrantes da comissão, justamente o que mais batia nas redes sociais contra o filme de Kleber Mendonça, explicou que o grupo tentou pensar com a cabeça da Academia e O Pequeno Segredo surgiu como melhor opção. A comissão ou vai se cobrir de glória ou carregar o carma da ‘marmelada’. O filme não se assemelha a nada que o cinema brasileiro anda fazendo, e muito menos ao tipo de filme politizado e visceral que o Oscar anda premiando – o polonês Ida, o húngaro O Filho de Saul etc. É sincero – uma carta de amor do diretor à irmã que morreu. E é prudente, até demais.

A estética não tem ousadia. Nem coragem de ser um melodrama rasgado o filme tem. O que pode atrair a Academia é o fato de a história ser real. É mais certo, pela reação no Odeon, que seja sucesso de público no Brasil. A estreia será em novembro.

 

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