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'O Mestre dos Gênios' assinala a estreia do diretor Michael Grandage

Longa dá conta da ligação do lendário editor Max Perkins com o não menos grande Thomas Wolfe

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2016 | 23h16

Havia grande expectativa em Berlim, em fevereiro por Genius, que agora estreia nos cinemas brasileiros como O Mestre dos Gênios. E, de início, uma constatação. Nem só de Mostra vive o circuito. Na quinta, 20, quando a 40.ª Mostra começou para o público, entraram novos filmes que, em outra quinta qualquer, teriam disputado o holofote e a atenção do cinéfilo. Justamente, Genius. O filme assinala a estreia de um importante diretor de teatro, Michael Grandage. Tem um elenco de astros e estrelas que equivale a uma constelação – Colin Firth, Jude Law, Laura Linney, Nicole Kidman, Guy Pearce, Dominic West. Tudo isso e mais a história, adaptada do livro de Scott Berg sobre a ligação do lendário editor Maxwell Perkins com o escritor Thomas Wolfe.

Em Nova York, nos anos 1920, Perkins já é considerado um grande editor – um gênio. Publicou F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway. Bate à sua porta esse jovem talentoso, Thomas Wolfe. Perkins o apadrinha, mas não é uma convivência pacífica. Pois, para o editor, Wolfe é um diamante bruto, que é preciso lapidar. É o que ele faz. Passa a ‘burilar’ a escrita de Wolfe, o que levanta questões muito interessantes. Quem é o gênio, afinal? Fala-se muito de Hollywood, do cinema, da interferência dos produtores e dos estúdios. A provocação de Grandage consiste em mostrar que o mundo editorial talvez não seja tão diferente. Não deixa de estar atrelado às leis de mercado.

Grandage é considerado um dos grandes encenadores do West End/Londres, amigo de Kenneth Branagh e Sam Mendes. Coincidência, ou não, o adaptador do livro de Scott Berg é o mesmo John Logan que colaborou com Mendes em 007 Contra Skyfall e Spectre, suas duas incursões (por enquanto) no universo de James Bond. O foco está na parceria de Parker e Wolfe. O roteiro dá livre curso aos embates profissionais, mas entram os problemas familiares – e se Colin Firth e Jude Law interpretam Parker e Wolfe, Laura Linney e Nicole Kidman fazem as respectivas mulheres. Em nome da acuidade histórica, Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway dão o ar da graça, interpretados por Guy Pearce e Dominic West. Nem precisavam. O essencial sobre o trabalho do escritor e do editor independe deles no filme.

Em Berlim, na coletiva de O Mestre dos Gênios, o diretor fez uma confissão que pode surpreender – “Sempre visitei os sets de amigos como Ken(neth Branagh) e Sam (Mendes) e pensava comigo que era uma coisa que eu poderia fazer, mas para isso teria de sair da minha zona de conforto, que era a encenação teatral. Não é uma coisa que pessoas da minha idade, com uma vida estabelecida, gostem de fazer, mas, pessoalmente, é algo que me estimula.” Mesmo tentado, ele admite que, no limite, foi o próprio material que o levou a se lançar no projeto. “Pode parecer idiota o que vou dizer, porque estamos aqui num festival de cinema, onde as pessoas têm uma percepção diferenciada das coisas. Mas muita gente simplesmente não sabe o que fazemos. Muitos me perguntam – o que faz o diretor? Minha mãe vivia me perguntando isso, sobre o teatro.”

No palco, por mais autoral que seja o encenador, o público identifica o dramaturgo como o autor. “A peça é de Shakespeare, de Edward Albee, de Tennessee Williams. Como encenador, eu faço uma mediação do texto e dos atores com o público. O atraente desse material é que Max (o editor), de certa forma, fazia a mesma coisa. Ao lapidar a escrita de (Tom) Wolfe, ele visava justamente essa passagem. Dei-me conta de que podia usar um editor para falar de direção.” Sobre seu elenco, ele foi definitivo. “É uma coisa que sei, trabalhar com atores. Mas, aqui, estou me ensaiando numa mídia que eles dominam mais que eu. Já estava fora da minha praia. Mas os tirava também (da zona de conforto deles). No fim, creio que deu certo para todos.”

Maxwell Perkins

Nascido em Nova York, em 1884, formou-se em Harvard e virou editor da conceituada casa Scribners. Sua máxima –“Gostaria de ser um anãozinho no ombro de um grande general, aconselhando-o sobre o que fazer, sem que ninguém percebesse”. Fez isso com grandes escritores. Morreu em 1947.

 

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