Cezar Valois
Cezar Valois

Longa 'O Outro Lado do Paraíso' abre o FESTin, em Portugal

O Festival de Cinema Itinerante da Língua vai exibir mais oito filmes brasileiros na mostra competitiva de ficção e de documentário

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

01 Março 2017 | 14h37

O filme O Outro Lado do Paraiso (Beyond Paradise), de André Ristum, abre nesta quarta, 1, a 8ª edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que acontece em Lisboa, e vai até dia 8 de março. O longa brasileiro conta a história de um pai de família que vai tentar a vida em Brasília, no início de sua construção, nos turbulentos anos 1960.

Nesta edição, o FESTin vai homenagear a contribuição das mulheres no cinema e os filmes autorais. O longa de André Ristum, que passará fora da mostra competitiva, é um dos dez filmes brasileiros selecionados pelo festival.

Para a mostra competitiva foram selecionados os longas brasileiros Quase Memória, de Ruy Guerra, baseado no livro homônimo de Carlos Heitor Cony, Prova de Coragem, de Roberto Gervitz, com Mariana Ximenes, que estará no festival, BR 716, de Domingos de Oliveira, protagonizado por Caio Blat, Big Jato, de Cláudio Assis, Animal Político, de Tião, Comeback, de Erico Rassi, com Nelson Xavier, que faz um ex-matador de aluguel e Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro, um road movie pela Amazônia e o Pará.

Entre os seis documentários que serão exibidos na mostra competitiva, o brasileiro Curumim, de Marcos Prado, que conta os últimos dias do carioca Marco Archer numa prisão na Indonésia, sob acusação de tráfico de drogas (ele foi executado em 2015).

Durante o festival, serão exibidos 75 filmes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, que de uma forma ou de outra refletem sobre o papel das mulheres no mundo audivisual, aproveitando que o festival encerra-se no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março (neste dia Elis, de Hugo Prata, encerra o festival). Além das exibições dos filmes, serão realizadas duas mesas-redondas. Uma será sobre o papel das mulheres no audivisual e outra sobre 'feminismo, gênero e sexualidade'.

Pela ligação afetiva de Lisboa com as Américas, haverá uma mostra especial de filmes latino-americanos, com a exibição de Miga de Pan, de Manane Rodrigues, que narra a história de uma mulher que volta ao Uruguai no natal para encontrar seu neto, o documentário espanhol Pepe el Andaluzia, de Alejandro Alvarado e Concha Barquero, sobre as memórias da guerra civil espanhola (1936-1939), Dólares de Areia, de Laura Amelia Guzmán e Israel Cardenas, da República Dominicana, estrelado por Geraldine Chaplin e uma retrospectiva com filmes do diretor Tomás Alea Gutiérrez Alea, o Titón, um dos mais prestigiados realizadores cubanos, que morreu em 1996. (com EFE)

 

ENTREVISTA: ANDRÉ RISTUM 

André Ristum, diretor do filme O Outro Lado do Paraíso, que abrirá o FESTin, fala sobre a participação do longa no festival, da sua carreira e de A Voz do Silêncio, seu novo filme, com Marieta Severo, em fase de finalização.

 

O Outro Lado do Paraíso, abrirá o FESTin, fora da mostra competitiva, fale um pouco a respeito?

É uma grande honra pra nós poder abrir o FESTin. O filme passou por muito festivais até hoje, teve grande sucesso com o público, então espero que o público desta noite de abertura possa também se entreter com o filme.

Como foi a carreira de festivais do seu filme? Quantos prêmios ganhou e quais os festivais mais importantes ele foi selecionado?

A carreira do filme em festivais foi, e está sendo ainda, excelente. Foi selecionado em muito festivais no Brasil e no exterior e ganhou 14 prêmios. Entre estes prêmios o de Melhor Filme no Festival Latinoamericano de Trieste na Itália, o de melhor direção no Festival brasileiro de Toronto e o de melhor filme pelo júri popular em Gramado.  Foi selecionado em muitos festivais no exterior, como Lleida na Espanha, Trieste na Itália, Guadalajara no México e Havana em Cuba, entre outros.

Apesar dos prêmios e de uma boa recepção da crítica, o filme foi pouco visto no Brasil. O que aconteceu? Isso lhe frustra de alguma forma? Como lida com isso?

Sim, infelizmente o filme teve um lançamento muito pequeno que não possibilitou um bom alcance de público. Uma pena, pois o filme teve grande resultado junto ao público em todos os festivais por onde passou, ganhando prêmio de público em cinco festivais! Acho que o maior problema foi ter tido um lançamento em circuito muito reduzido, e isso é frustrante, claro, após tanto tempo trabalhando em cima de um projeto. De todo modo é algo que infelizmente como diretor eu não tenho muito o que fazer, tive que me conformar com as decisões da distribuidora. 

O Outro Lado do Paraíso é  seu terceiro longa, como você enxerga sua carreira de cineasta até o momento?

Acho que este terceiro filme traz vários temas que me são caros, como as relações familiares e os tempos da ditadura no País, assuntos que já tinha abordado em Meu País e (documentário) Tempo de Resistência. Acho que esse tipo de análise não cabe a mim, mas posso dizer que fico feliz de ter realizado estes projetos, que tem em comum uma boa comunicação com o público. 

Fale um pouco do seu novo longa A Voz do Silêncio, com Marieta Severo. Já finalizou o filme? Quando estreia em festivais?

A Voz do Silêncio tem em seu elenco, além da incrível Marieta, um extenso elenco principal, por se tratar de um filme coral. Entre eles, Stephanie de Jongh, Arlindo Lopes, Ricardo Merkin, Claudio Jaborandy, Marat Descartes, Marina Glezer e Nicola Siri. O filme se passa nos dias de hoje, em São Paulo. É um filme que fala sobre as distâncias afetivas e da dificuldade de viver numa grande metrópole nos dias de hoje. O filme está em fase de finalização e espero que consigamos ter o mesmo pronto para estrear ainda este ano em festivais. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.