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'O Fio de Ariane' faz dieta de fantasia para dar um tempero ao real

Robert Guédiguian é conhecido por seus filmes engajados

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Luiz Zanin Oricchio,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 20h30

Conhecido por seus filmes engajados, o marselhês Robert Guédiguian dá uma desligada da dura realidade e entrega-se ao sonho. O Fio de Ariane pode ser visto desse forma, como presente do cineasta a si mesmo e também à sua mulher, musa e atriz de seus filmes, Ariane Ascaride. 

Esta entrega-se a uma fábula deliciosa, mas nem por isso desprovida de dor e sabedoria. Em sua casa perfeita, ela prepara o bolo de aniversário, e fica à espera do marido, dos filhos já crescidos e casados, de amigos e amigas do casal. Mas todos os convidados, um a um, telefonarão pretextando compromissos inadiáveis, imprevistos de última hora, etc. Dando bolo na aniversariante, a deixarão a sós. Bolo por bolo, ela deixa o doce com as velinhas acesas, pega seu carro e resolve comemorar por conta própria. 

O que temos, a partir daí, é a celebração da fantasia. Como dona de casa convencional, Ariane é dependente dos outros, dos seus desejos e suas disponibilidades. Quando descobre estar só, dá uma banana para o mundo e resolve viver. A partir daí, imperam a fantasia e a realização dos desejos. Mas, mesmo no mais profundo dos sonhos (ou no pesadelo da liberdade total), convém deixar o caminho marcado para a volta, como fez a Ariadne da mitologia grega ao se perder o labirinto do Minotauro. 

 

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