'O Exótico Hotel Marigold 2' e novos longas de Daniel Filho e Eduardo Coutinho estreiam esta semana

Documentário 'De Gravata e Unha Vermelha' e 'O Franco-Atirador' também chegam aos cinemas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 12h40

O Exótico Hotel Marigold 2. Quem gostou do primeiro filme vai gostar mais ainda do segundo. O diretor John Madden, de Shakespeare Apaixonado, não fez propriamente uma sequência, mas um recomeço, contando a história da construção de outro hotel. Voltam os personagens, mas mais complexos e Dev Patel agora está se casando. O que o filme ressalta é a importância do casamento na cultura indiana, numa espécie de comédia shakespeariana rica em nuances. Richard Gere agrega ao grupo, Judi Dench e Maggie Smith continuam grandes, mas quem rouba as cenas é o veterano Bill Nighy.

Cala a Boca, Philip. Escritor em crise - o editor atrasa a publicação do novo livro, a mulher queixa-se de tudo - recebe a oferta de um admirador, que lhe cede a casa para ele poder descansar (e refletir). O diretor Alex Ross Perry fez uma comédia temperada de drama (de absurdo?), e com Jason Schwartzman, Elizabeth Moss e Jonathan Pryce, o filme tem seu encanto. Mas não deixa de conter uma aposta arriscada - até que ponto o espectador conseguirá se identificar com o protagonista nada simpático?

 

De Gravata e Unha Vermelha. Dublê de cineasta e psicanalista, Miriam Chnaiderman propõe sua discussão sobre gêneros, entrevistando figuras públicas (Laerte, Ney Matogrosso, Elke Maravilha) que viraram sinônimo de transgressão. Além desses, o filme revela outros personagens interessantíssimos que reinventaram sua sexualidade ou reconstruíram a identidade por meio de intervenções no próprio corpo. É o tipo do programa a que pastores e políticos raivosos deveriam assistir para entender melhor o mundo em que vivem. Para aprender a respeitar as opções de cada um.

 

A Estrada 47. Há uma versão de que o júri de Gramado do ano passado rachou, dividido entre duas tendências, e que o filme de Vicente Ferraz venceu o festival por ser palatável para ambos os grupos. Isso não tira os méritos do filme que segue um pelotão da FEB, Força Expedicionária Brasileira, na itália. O grupo lida com todo tipo de dificuldade, mas isso não impede que seus integrantes sejam heróis. A ironia - o que eles fazem de heroico na estrada 47 termina atribuído aos norte-americanos, muito melhor equipados. Com grande elenco - Daniel de Oliveira, Julio Andrade etc.

 

O Franco-Atirador. O diretor Pierre Morel é homem de confiança do produtor Luc Besson e tem feito filmes de ação sob medida para plateias ávidas por testosterona. Exemplos disso são BP - 13.º Distrito e o primeiro Busca Implacável, com Liam Neeson. Aqui, matador de aluguel resolve se aposentar, mas é traído e inicia um périplo para acertar contas com os que abusaram de sua confiança. Sean Penn bate e arrebenta, e no elenco também estão Javier Bardem e Idris Elba.

 

Sorria, Você Está Sendo Filmado. Diretor de grandes sucessos de público, Daniel Filho arrisca (inova?) e, inspirado no exemplo do filme Morte de Um Homem nos Bálcãs (de 2012), documenta as reações de um grupo que não sabe que está sendo filmado. O porteiro, a faxineira, a ex-atriz, o policial, todos saem do sério diante da descoberta de um cadáver no prédio. O filme foi feito em ritmo de guerrilha, com uma webcam. O prestígio de Daniel Filho permitiu-lhe contar com um elenco de grandes nomes, mas não é o que estão todos acostumados a fazer - Lázaro Ramos, Otávio Augusto, Susana Vieira, Lúcio Mauro Filho etc.

Últimas Conversas. Filmadas por Eduardo Coutinho, essas conversas com adolescentes da nova classe média - que falam de sonhos e expectativas - foram montadas e finalizadas por dois colaboradores do grande diretor, depois de seu brutal assassinato. Na verdade, não é um filme de Coutinho - jamais saberemos como ele o teria concluído -, mas a montadora Jordana Berg e o produtor/diretor João Moreira Salles tentaram ser fiéis ao artista. O filme tem dividido opiniões, mas expõe seu processo, o que pode ser estimulante para cinéfilos e admiradores em geral.

 

A Vida Privada dos Hipopótamos. A dupla de diretores Maíra Bühler e Matias Mariani prova que a realidade consegue ser mais estranha que a ficção por meio desse documentário que conta uma história realmente bizarra. Americano preso no Brasil entrega HD a uma equipe de filmagem. Ao projetar as imagens, a equipe desvenda uma historia de amor, obsessão e drogas entre Chris, uma misteriosa colombiana chamada V e os hipopótamos do Pablo Escobar. Se fosse ficção, seria considerada exagerada, mas é tudo verdade. Mas é tudo mesmo verdade?

  

Super Velozes, Mega Furiosos. Depois que o sétimo filme da franquia Velozes e Furiosos arrebentou e virou um dos grandes campeões de bilheteria da história do cinema, que tal ver a versão cômica? Os diretores Jason Friedberg e Aaron Seltzer e os atores Andrea Navedo, Lili Mirojnick e Dale Pavinski fazem uma sátira deslavada, mostrando como o policial Paul White se infiltra na gangue de corredores de Vin Serento nas ruas de Los Angeles.

 

Winter Sleep. O turco Nuri Bilge Ceylan bateu na trave da Palma de Ouro diversas vezes, mas no ano passado finalmente recebeu o prêmio maior do Festival de Cannes por esse longa - longuíssimo - sobre o papel do intelectual no mundo. O protagonista é um escritor e pesquisador que administra hotel na Anatólia e tem relações tumultuadas com a mulher e a irmã, que cobra dele o homem (o artista) que poderia ter sido. Há quem diga que o júri presidido por Jane Campion conseguiu premiar o pior filme de Ceylan. O pior? Existem cenas - planos sequências elaboradíssimos - que deixam o espectador siderado. Como aqueles atores conseguem dizer aqueles textos densos e profundos em plano contínuo? E como Ceylan consegue controlar a luz, em interiores e exteriores? É um filme de mestre.

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