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No divertido 'Chef', Jon Favreau reecontra o multiculturalismo

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2014 | 09h 28

Novo filme do ator, diretor e roteirista retorna ao cinema indie, no qual ele faz um chef demitido que tenta reerguer a própria vida; veja trailer

Ainda está em cartaz o simpático Bistrô Romantique e, ao longa de Joel Vanhoebrouck, vem se somar agora o norte-americano Chef. Filho de mãe judia e pai ítalo-francês, Jon Favreau começou sua carreira como ator, tornando-se um dos rostos mais conhecidos da produção indie dos EUA. Depois de dois megassucessos - Homem de Ferro 1 e 2 -, ele volta ao seu primeiro amor. O filme é pequeno, de perfil mais autoral. Nos EUA, depois de passar no Festival Tribecca, Chef estreou arrebentando nas bilheterias. Não é qualquer indie que pode ostentar os nomes de Robert Downey Jr., Scarlett Johansson e Dustin Hoffman. O primeiro deve a Favreau - e à mulher produtora - sua ressurreição como astro. A personagem de Scarlett com certeza contribuiu para que ela se convertesse na mulher mais sexy do mundo. São participações amigáveis, e divertidas.

Divulgação
No divertido "Chef", Jon Favreau reecontra o multiculturalismo

Scarlett tem um orgasmo ao comer a pasta que o próprio Favreau, no papel do chef, prepara para ela, após ser espinafrado pelo grande crítico de gastronomia da internet (Oliver Platt). A culpa é de Dustin Hoffman, o dono do restaurante, que impede Favreau de experimentar na cozinha, oferecendo ao crítico mais do mesmo. Filmes sobre comida em geral possuem conotações eróticas, e isso não surpreende porque entre as múltiplas significações do verbo comer está aquela. Chef brinca um pouco com isso, e a preparação e o consumo de alimentos rendem cenas ótimas - bem filmadas e editadas. Na verdade, o tema, ou os temas, são outros.

O chef vive uma situação irresolvida com a ex-mulher (Sofia Vergara), não tem muito tempo para o filho (Emjay Anthony). Despedido por Hoffman, ele entra em depressão, mas isso somente até voltar às origem, com um trailer-restaurante. O filme vira road-movie, com o aporte do filho e do subchef (John Leguizamo). O outro sub, Bobby Cannevale, permanece no restaurante de Hoffman. O charme de Chef não está só na forma como o restaurateur Favreau recupera o antigo status, mas também como as ferramentas das redes sociais, lançadas contra ele pelo crítico, vão se tornar aliadas, graças ao filho. É um belo filme sobre 'paternidade'.

Em Porto Alegre, onde o repórter assistiu ao filme, nas volta do Festival de Gramado, Chef lotou praticamente todas as sessões do fim de semana no circuito de Adhemar Oliveira (o Espaço Itaú). É um filme delicioso, para permanecer na vertente gastronômica. Homem de Ferro 1 e 2, sob certos aspectos, estão entre os blockbuster mais polêmicos porque, de uma forma muito clara - não é nem subliminar - o grande tema da dualidade Iron Man/Tony Stark é o imperialismo ianque, que Favreau enquadra de forma divertida, mas não necessariamente crítica. Pelo contrário, na estrada de Chef, o reencontro é com o multiculturalismo (os sanduíches e a música cubanos) e o democratismo das redes. E é um filme descontraído, que transmite uma alegria. A de filmar e estar entre amigos. Durante todo o tempo o que se discute é o mais do mesmo (e o cinemão?) e como utilizar as novas ferramentas. Jon Favreau, agora na linha de frente do cinemão, dá marcha-ré para reencontrar, com luxo, o espírito indie e metaforizar o próprio cinema.

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