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Mulher de Coutinho estava lúcida o tempo todo, diz amiga da família

Rio - O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2014 | 19h 47

Maria das Dores, viúva do cineasta, trocou de hospital no começo da noite de hoje

Amiga da família do cineasta Eduardo Coutinho, a professora Zélia Briseno visitou a viúva do diretor, Maria das Dores, de 62 anos, e contou que ela lembra de tudo o que aconteceu. “Ela estava lúcida o tempo todo. Na hora, ela ligou para o filho mais velho, para a irmã e para mim pedindo ajuda. Dizia: ‘me ajuda, estou morrendo’. Zélia contou que há poucos dias, Coutinho caiu em casa e Daniel ajudou e cuidou do pai.

No começo da noite desta segunda-feira, Maria das Dores foi transferida do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea (zona sul do Rio), para o Hospital Adventista Silvestre, instituição particular situada no Cosme Velho, na mesma região. O estado de saúde dela é considerado estável.

M., o vizinho chamado por Daniel Coutinho depois de matar o pai, contou que ele estava “muito calmo” ao bater em sua porta. Daniel já havia desferido facadas em sua própria barriga e estava “com as vísceras para fora”, segundo o morador, que prefere não ter a identidade divulgada para não ser mal visto no prédio.

Seu relato impressiona: “Ele bateu na minha porta porque somos vizinhos de porta e temos uma relação amigável. Disse que tinha libertado o pai e a mãe e tentado se libertar, embora eles não entendessem isso, e que não era a hora dele. Daniel me pediu socorro, que eu chamasse a ambulância. Eu desci para pedir ajuda ao porteiro e minha mulher conversou com ele. Ela teve a presença de espírito de se lembrar da Dora (apelido da mulher de Coutinho), que estava gemendo num outro cômodo depois de ter escapado de Daniel, e aí os bombeiros a levaram. Ela saiu muito abalada, mas lúcida. A última coisa que pediu foi pra não deixarem o Pedro (outro filho do casal, para quem ela ligou para relatar o ocorrido e pedir ajuda) ver o pai morto no meio da sala.”

O morador conhece a família há 30 anos, desde que se mudou para o edifício na Lagoa. Conversava com Coutinho sobre cinema quando se encontravam no elevador e via Dora como uma dona de casa tranquila e afetuosa. Ele descreveu Daniel como “quieto”. “Desde criança era introspectivo. Ultimamente estava pior, não o via sair de casa há uns três ou quatro meses. Só quando aparecia na porta para receber comida pedida em restaurante. Que eu saiba, não trabalhava.”

Ele ficou em choque ao se deparar com Daniel em sua porta, ensanguentado. “Ele estava surtado, mas muito calmo. Tinha as feridas abertas e as vísceras saindo. Fui até a porta do apartamento com ele e ele ainda fumou um cigarro.”

A irmã do cineasta, Heloísa Coutinho, disse que a tragédia foi uma “completa surpresa” para todos. “Nós nos falávamos pouco porque eu moro em São Paulo. Ele conversava muito com meu outro irmão, mas não acompanhávamos o dia a dia da família. O Eduardo era um ótimo pai, mas tinha uma vida muito discreta. Ele era muito original. Meu irmão foi homenageado quando completou 80 anos e agora está sendo lembrado novamente por seu trabalho.”

Segundo o Hospital Miguel Couto, Maria das Dores, que tem 62 anos, e Daniel, de 41, estão conscientes. Ela levou duas facadas no peito e três na barriga, sendo que uma perfurou o fígado. Daniel golpeou a si próprio por duas vezes na barriga.

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