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Mostra exibe filmes que marcaram a história do cinema brasileiro

'Itaú Cultural 30 Anos de Cinema Brasileiro' vai exibir longas como ' Carlota Joaquina' e 'Central do Brasil'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 19h24

Pode-se contar uma história do cinema brasileiro da Retomada somente a partir da mostra que começou na quinta, 10, nas salas dos Espaços Itaú de seis capitais - São Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Porto Alegre e Curitiba. O evento, que vai até a próxima quarta, 16, comemora os 30 anos de criação do Instituto Itaú Cultural. A programação, na verdade, antecede a Retomada e contempla obras dos anos 1980 até os 2010. Também não se limita às salas de cinema e, desde o dia 6, o público também pode acessar quatro títulos online no canal do Instituto, entre eles Os Anjos da Noite, de Wilson Barros, obra emblemática do chamado neon-realismo, e Santo Forte, de Eduardo Coutinho.

“Não se trata única e exclusivamente de uma seleção de melhores filmes, mas, principalmente, de obras representativas de movimentos estéticos, ciclos econômicos, de produções independentes até as de grande orçamento, filmes que apresentam temáticas importantes de serem debatidas e que marcaram a história do cinema nacional”, explica o gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural, Claudiney Ferreira. A ressalva é importante porque, dependendo de avaliações pessoais, baseadas em conceitos estéticos e políticos, faltam obras viscerais do período. O que está sendo apresentado oferece, de qualquer maneira, a possibilidade de uma interessante visão de conjunto da produção nacional.

Pegando carona nos números fornecidos pelo Instituto, são 36 filmes que representam 30 anos de produção nacional, em um total de 335 horas de cinema brasileiro, o equivalente a mais de 20 mil minutos ao longo de 198 sessões gratuitas. A curadoria é uma parceria de Adhemar Oliveira, diretor de programação da rede Espaço Itaú, e o Núcleo de Audiovisual e Literatura do Instituto. Você já deve ter pensado em alguns títulos que fizeram história ao longo dessas três décadas. Central do Brasil, de Walter Salles? Cidade de Deus, de Fernando Meirelles? Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky? O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho? 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira? Santiago, de João Moreira Salles? Estão todos confirmados.

Algumas ausências são clamorosas - Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes; Edifício Master, de Eduardo Coutinho; Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar; A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa; Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. Mais do que lamentar esse ou aquele título ou autor que tenha ficado de fora - todos os dinossauros do Cinema Novo -, mais importante talvez seja destacar o significado dessas exibições. Passaram-se quase 20 anos, e a discussão sobre a construção da ética num país devorado pela desigualdade proposta por Central do Brasil não perdeu nada de sua atualidade - pelo contrário. A estética do néon, encravada na pós-modernidade (Anjos da Noite), de alguma forma reverbera no que foi definido, até de forma leviana, como ‘cosmética da fome’ em City of God, o filme brasileiro mais conhecido mundialmente da Retomada.

A nova estética da fome de Marcelo Gomes, em Cinema, Aspirinas e Urubus, acrescentaria rigor a esse debate, ou avaliação. E os documentários? O ‘viscontiano’ Santiago é quase um contraponto a Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Martírio, de Vincent Carelli. O importante é que o Brasil se reflete no espelho da mostra 30 Anos de Cinema Brasileiro. E, embora as sessões sejam gratuitas, sempre será bom reservar os ingressos online para agilizar (e garantir).

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