Mostra em São Paulo vai exibir filmes de terror no cemitério

Maratona 'Cinetério Especial' tem clássicos na madrugada

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2014 | 19h01

Apesar de ser um dos clássicos do terror - e do terrir - brasileiro, As Sete Vampiras, de Ivan Cardoso, nunca foi exibido em um cenário tão propício quanto um cemitério. Neste sábado, na mostra Cinetério Especial, que ocorre a partir das 23 horas, uma plateia de 250 pessoas vai poder ver o longa em película 35 mm, em uma tela montada em um dos corredores do Cemitério da Consolação. "Legal essa iniciativa, porque o cemitério é o habitat natural dos mortos-vivos... Eu mesmo nunca escondi que gosto muito de passear em cemitério, por causa do gênero cinematográfico ao qual me dedico e para fotografar os túmulos, a última morada dos artistas que tanto nos fascinam", comentou Cardoso sobre a sessão que também vai exibir Ninfas Diabólicas, de John Doo, e Excitação, de Jean Garrett. "A escolha dos filmes levou em conta não só o estilo, mas também importância história. E são filmes que ganharam cópia nova por meio do trabalho da Cinemateca Brasileira," explica Rafael Carvalho, da organização do evento.

"Já filmei em quase todos os cemitérios do Rio, onde moro, e já fotografei sepulturas que poderia chamar de figurinhas carimbadas no mundo inteiro, como a lápide de Ezra Pound, na Ilha dos Mortos, em Veneza; o túmulo egípcio de Oscar Wilde, no Père-Lachaise, em Paris; e o Mojica, o Zé do Caixão, na antológica sepultura da Carmem Miranda, no São João Batista! Mas, curiosamente, nunca entrei, nunca pisei num cemitério na Pauliceia Desvairada", completou o diretor.

  

Provando que não é só o diretor que gosta da ideia de ocupar os cemitérios das grandes cidades para atividades culturais, cada vez mais os paulistanos têm frequentado as atrações que a Secretaria de Cultura vem promovendo em parceria com a Secretaria de Serviços, que administra os 22 cemitérios municipais de São Paulo. Desde a Virada Cultural de 2007, o cemitério da Consolação recebe sessões especiais de cinema, além de apresentações musicais, como a do Carola Paulistano, que fez apresentações no local em maio, no Dia das Mães e em agosto, no Dia dos Pais. "Os cemitérios guardam riqueza cultural grande, em termos históricos e das personalidades neles sepultadas. Muitas vezes, são áreas segregadas, as pessoas têm medo. Mas devem ser descobertas pela população, ser espaço de cultura, como em Paris, o da Recoleta em Buenos Aires", diz Fulvio Giannella Junior, chefe de gabinete do serviço funerário municipal de São Paulo. "A melhor forma de quebrar este preconceito é por meio da cultura, integrar estes espaços à vida da metrópole. Assim, surgiu o projeto Memória e Vida, que utiliza os espaços para apresentações de música, coral, cinema", completa Fulvio. 

Para garantir a segurança das instalações da necrópole, foram contratados seguranças particulares e grades serão instaladas no local, impedindo que os visitantes tenham acesso aos túmulos e a demais áreas.

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