Morre atriz Deborah Kerr na Inglaterra

Atriz era conhecida por sua atuação nos filme 'A Um Passo da Eternidade' e 'O Rei e Eu'

Luiz Carlos Merten e Associated Press,

07 Outubro 2018 | 14h11

A atriz britânica Deborah Kerr, que estrelou, junto com Burt Lancaster, um dos beijos mais famosos do cinema em A Um Passo da Eternidade, morreu nesta quinta-feira, 18, segundo anunciou seu agente. Ela tinha 86 anos.   Leia o blog do Merten Veja trecho de A Um Passo da Eternidade   Outros papéis memoráveis incluem Anna Leonowens, uma jovem britânica que se apaixona pelo rei de Sião, em O Rei e Eu. Atuou com grandes astros de Hollywood, como Robert Mitchum em O Céu é Testemunha; Cary Grant em Tarde Demais para Esquecer.   Mas, para muitos ela será lembrada pela cena de beijo que protagonizou com Lancaster, constantemente eleita entre os melhores beijos da telona.   Deborah, que sofria de Mal de Parkinson, morreu nesta quinta,18, em Suffolk, na Inglaterra, disse sua agente Anne Hutton.   Deborah Kerr nasceu Jane Kerr-Trimmer em 1921, em Hennelsberg, na Escócia., ela iniciou sua carreira em teatros na Inglaterra e entretendo soldados durante a 2.ª Guerra Mundial.   Estudou dança e começou a fazer teatro muito jovem. Sua estréia no cinema ocorreu aos 20 anos, na versão da peça Major Bárbara, realizada por Gabriel Pascal, em 1941. Aos 30, a elegância tipicamente inglesa de Deborah Kerr tomou de assalto Hollywood e no biênio 1950-51, ela fez dois grandes sucessos da época - As Minas do Rei Salomão, a versão de Andrew Marton e Compton Bennett, com Stewart Granger; e Quo Vadis?, que MervynLeRoy adaptou do romance do polonês Henryk Sienkiewicz. Nos anos seguintes, com raro talento, Deborah Kerr conseguiu criar na tela todo tipo de personagem feminina. Fosse ela uma adúltera (A Um Passo da Eternidade) ou uma freira (O Céu É Testemunha, de John Huston), o espectador podia estar seguro de que ia ver na tela uma atriz capaz de expressar sentimentos viscerais da mulher.   Talvez tenha sido este o grande legado de Deborah Kerr. Na sua grande fase, ainda anterior ao feminismo, ela humanizou a mulher no cinema, abordando seus sentimentos em relação ao amor e ao sexo em papéis (e filmes) que se tornaram inesquecíveis. A inválida de Tarde Demais para Esquecer, de Leo McCarey; a amante do pai hostilizada pela jovem Jean Seberg em Bom-Dia Tristeza, de Otto Preminger; a governanta das crianças que podem estar possuídas de Os Inocentes, terror gótico de Jack Clayton; a missionária reprimida de A Noite do Iguana, que John Huston adaptou de Tennessee Williams; e o novo casal adúltero que ela formou com Burt Lancaster em Os Pára-Quedistas Estão Chegando, de John Frankenheimer, mostraram que essa grande dama não temia subverter a própria imagem, para melhor servir a seus personagens. Um de seus grandes papéis foi em Movidos pelo Ódio, de Elia Kazan, em 1969. Deborah era a mulher de Kirk Douglas, mas ele estava mais interessado na amante, Faye Dunaway. Numa cena ousada, ela dava vazão à sua sensualidade insatisfeita, pegando de forma obscena no mastro da cama. Grande Deborah Kerr. É impossível ser cinéfilo sem ter amado essa grande atriz.          

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