REUTERS/Mario Anzuoni
REUTERS/Mario Anzuoni

Meryl Streep condena Harvey Weinstein, acusado de assédio sexual: “injustificável”

Co-fundador da Miramax Films foi demitido da própria companhia após depoimentos de vítimas virem à tona

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 16h33

A premiada atriz Meryl Streep fez nesta segunda-feira duras críticas ao produtor norte-americano Harvey Weinstein, acusado de cometer e acobertar assédio sexual há pelo menos três décadas. Na declaração, enviada exclusivamente ao HuffPost, a atriz afirma que o comportamento de Harvey é “injustificável” e alega que “nem todo mundo” estava ciente dos abusos cometidos pelo produtor. Em 2012, Weinstein produziu “A Dama de Ferro”, filme com o qual Streep conquistou o Oscar e o Globo de Ouro.

“As notícias vergonhosas sobre Harvey Weinstein decepcionaram aqueles de nós cujo trabalho ele defendeu e cujas causas dignas apoiou”, afirmou a atriz. “As mulheres intrépidas que levantaram a voz para expor esse abuso são nossas heroínas”.

Na declaração, Meryl Streep diz que nem todos os colegas de trabalho estavam cientes do comportamento abusivo do produtor. “Harvey apoiava o trabalho ferozmente, era exasperado mas respeitoso comigo em nosso relacionamento de trabalho, e com vários outros com quem ele trabalhou profissionalmente. Eu não sabia sobre as outras acusações: eu não sabia sobre os acordos financeiros que ele fazia com atrizes e colegas; eu não estava ciente dos encontros que ele tinha em quartos de hóteis e banheiros e não sabia de quaisquer outros atos inapropriados e coercitivos”, escreveu. “Se todo mundo soubesse que isso acontecia, eu não acredito que todos os jornalistas investigativos teriam demorado tanto para escrever sobre”, argumenta. 

Os casos vieram à tona quatro dias atrás, quando o jornal The New York Times publicou uma reportagem investigativa que acusa Weinstein de cometer uma série de assédios sexuais contra atrizes, assistentes e empregadas temporárias. Em entrevista ao jornal, a atriz Ashley Judd afirmou ter sido atraída pelo produtor ao hotel Peninsula Beverly Hills, onde os dois supostamente teriam um encontro de negócios. Ao chegar lá, no entanto, ela foi enviada ao quarto de Weinstein, que a aguardava vestindo um roupão de banho. De acordo com a atriz, o produtor a perguntou se poderia fazer-lhe uma massagem ou se ela poderia assisti-lo tomando banho. 

O jornal afirma ainda Weinstein fez ao menos oito acordos financeiros com mulheres durante os trinta anos em que foi confrontado com acusações de assédio sexual e contato físico indesejado. Segundo o veículo, dezenas de funcionários de Weinstein afirmaram ter testemunhado condutas inapropriadas do produtor enquanto trabalhavam para ele. 

Em resposta, Weinstein escreveu na última quinta-feira uma declaração ao jornal The Times, na qual afirmou estar ciente de que seu comportamento “causou muita dor” à colegas “no passado”. “Eu sinceramente me desculpo por isso. Ainda que eu esteja tentando ser melhor, sei que tenho um longo caminho pela frente”, escreveu. Em razão das denúncias, Weinstein foi demitido de sua própria produtora no último domingo.

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