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Festival de Cannes 2014

Marion Cotillard aparece como única aposta certeira a vencer no Festival de Cannes

Jake Coyle - Associated Press

24 Maio 2014 | 06h 00

Críticos apontam ainda 'Mr. Turner', 'Winter Sleep' e 'Foxcatcher' como fortes concorrentes à Palma

A Palma de Ouro é o equivalente cinematográfico do conclave papal. O prêmio máximo do Festival de Cannes não é anunciado com fumaça branca, mas suas deliberações se realizam quase com a mesma quantidade de segredo. Enquanto a mídia mundial debate e analisa os méritos e as possibilidades de cada filme em competição, o júri sai e entra sigilosamente da sala de cinema sem deixar transparecer nenhuma opinião.

Se em Hollywood a temporada de premiações leva sempre a resultados bastante previsíveis no Oscar, na contrapartida europeia ocorre justamente o contrário: Ninguém sabe quais são as favoritas e tudo depende do direcionamento do júri, que é encabeçado este ano pela diretora neozelandesa Jane Campion.

 

Ao lado de Campion (ganhadora da Palma por O Piano, que compartilhou o prêmio com Adeus Minha Concubina), o júri deste ano inclui o mexicano Gael García Bernal, Sofia Coppola e Willem Dafoe. Também participam as atrizes Carole Bouquet, Leila Hatami, Do-Yeon Jeon e os diretores Zhangke Jia e Nicolas Winding Refn.

 

O filme ganhador da Palma de Ouro será anunciado em cerimônia oficial neste sábado, após dez dias de frenesi cinéfilo na França.

 

Dos 18 longas em competição, estão entre os favoritos o turco Winter Sleep (Kis Uykusu), o russo Leviathan (Leviafan) e o francês Deux Jours, une Nuit (Two Days, One Night). Ninguém, contudo, pode apostar com certeza.

"Quando eu estava no júri, diziam coisas sobre o que pensávamos e estavam totalmente equivocados", afirmou David Cronenberg, que presidiu 1999. "Diziam 'Obviamente este filme é a que mais tem chances de ganhar', ou 'Este ator é claramente o favorito', e nós não pensávamos em nada disso." Na época, Cronenberg instruiu os jurados a não lerem o que se publicava na imprensa durante o Festival.

Foi um ano em que os resultados mais surpreenderam. Rosetta, dos Irmãos Dardenne, tirou o posto de Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar, que era considerado o favorito. Rosetta foi o último longa exibido na programação e os diretores era praticamente desconhecidos na época.

A decisão foi controversa, mas, desde então, Rosetta mostrou seu valor e os Dardenne desenvolveram uma carreira aclamada, vencendo novamente a Palma em 2005 com O Filho. Agora, podem fazer história novamente: Deux Jours, une Nuit, protagonizado por Marion Cotillard, pode torná-los os primeiros diretores a vencer o prêmio máximo do Festival de Cannes três vezes. Outros seis, incluindo Francis Ford Coppola, venceu em duas ocasiões.

Mas muitos acreditam que o júri só dará a Cotillard o prêmio de melhor atriz. O mesmo é o que se pensa do autobiográfico Mr. Turner, de Mike Leigh -- mesmo aclamado por muitos, pode ser premiado só pela atuação de Timothy Spall. O drama de Bennett Miller,  Foxcatcher, traz uma reveladora interpretação dramática de Steve Carell e bem poderia competir também nesta categoria.

 

Neil Young, que escreve em seu blog, o Film Lounge, sobre as apostas da Palma, diz que Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, é o favorito a 4 por 1, seguida de LeviathanMommy, um drama sobre a relação entre mãe e filho do canadense Xavier Dolan, de 25 anos.

Muitos outros filmes poderiam ser surpresas desta edição. A zebra mais escandaloza seria Relatos Salvajes, um filme argentino sobre histórias de vingança. Timbuktu foi elogiado por seu retrato humanista da vida em um povoado do Mali sob o governo talebã. E, talvez o mais difícil de descrever, o longa em 3D de Jean-Luc Godard Adieu au Langage

Muitas vezes, os vencedores podem ser determinados pelas diâmicas da organização. Quando Olivier Assayas era integrante do júri presidido por Robert DeNiro em 2001, era um dos que pregava por A Árvore da Vida, de Terrence Malick. O filme se transformou em uma das ganhadoras de Cannes com maior sucesso fora do Festival.

"Alguns de nós tivemos que brigar por ele", disse Assayas, que compete este ano com o drama Sils Maria. "Sinto orgulho de ser um dos que o apoiaram." O que parece seguro dizer este ano é que o filme Captives, de Atom Egoyan, certamente não levará o prêmio após ser vaiado pelos críticos.

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