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Linda Blair conta como sobreviveu a "O Exorcista"

Agencia Estado

02 Março 2001 | 12h 21

Linda Blair é uma mulher pequena, falante e estilo perua. Veste calça de couro marrom, botas e top bege que avoluma ainda mais seus seios. Ela monopoliza a conversa e pouco espaço deixa para perguntas. Sua carreira conheceu um grande filme, O Exorcista, que rodou em 1972. "Detestava falar sobre a cena de levitação e a infame seqüência da sopa de ervilha", revela. "Na verdade, detestava falar sobre o filme", continua. "Mas demorei a perceber que isso nunca ia terminar. Embora eu não seja como a personagem, Regan é parte da minha vida e é por causa dela que você me conhece, não é?" Como foram as filmagens de O Exorcista? Linda Blair - Quando vi o filme pela primeira vez, disse para mim mesma: "Ah, então era isso que eles estavam fazendo?" Não sabia nada sobre demônio ou religião, pois não fui criada desse jeito. No set, a equipe me mantinha ultraprotegida, não me revelando nada do que estavam filmando. Eu trabalhava desde os 5 anos, como modelo e fazendo comerciais em Nova York. Quando fiz 13, falei para minha mãe que não queria trabalhar mais. Queria ser veterinária. Se tivesse que estrelar um filme, que fosse uma da Disney. Sempre fui uma Cinderela. Como uma menina fazia as cenas em que tinha de gritar tantos palavrões? O roteiro não continha os mesmos diálogos que ficaram no filme. Billy Friedkin (o diretor) reescrevia as falas e sempre me dava o texto para decorar uma noite antes de filmarmos. Eu protestava: "Mas não posso falar isso!" E ele respondia: "Claro que pode." Eu insistia com ele, pois não sou boba. Podia não entender alguns significados, mas sabia que era palavrão. Billy sempre arranjava um jeito. Depois da cena feita, nunca mais a discutia. Nunca falei com minha mãe sobre aquilo. Ela morreu sem me dizer o que achou do filme. Acho que ficou mortificada. "O Exorcista" esbarra numa questão que, no momento, está muito em evidência em meu país: o abuso ou não de atores-mirins. Você acha que crianças devem trabalhar longas horas num set? Isso rende grande debate. Não muito tempo atrás, uma companhia canadense queria refazer O Exorcista como minissérie. E perguntaram se eu queria ajudá-los a escolher a garota para o papel. Eu disse que era o convite mais ultrajante que já tinha recebido. Sobrevivi a O Exorcista, pois fui muito forte e pé no chão. Mas acho que esse filme nunca deveria ser refeito. É preciso tomar cuidado com as crianças que entram nessa profissão. Leio jornais e rezo. Sou muito espiritual. Acho que é preciso ter mais compaixão. Qual é a pergunta mais recorrente que você tem de responder sobre o filme? Sempre me pedem: "Ei, Linda, vire sua cabeça para mim!" (Risos) No começo ficava uma arara. Não entendia o motivo da graça. Mas hoje fico imaginando: será que Jack Nicholson teria interpretado esse papel como eu? Quer saber o que acho? (Risos) O que faz hoje? Estou entrando no ramo dos dot.coms (ponto.coms). A Internet é um mundo fascinante. Informações podem ser encontradas no site www.lindablair.com. Logo, estarei no site alternet.com, onde vou promover curtas de cineastas amadores e meu trabalho no Last Chance for Animals, organização que conscientiza sobre o fato de que 2,5 milhões de bichos de estimação são roubados por ano e vendidos para pesquisa. Minha cachorrinha e confidente de 8 anos foi roubada de meu quintal quando eu tinha 20 anos e isso teve um efeito devastador em mim.

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