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Leonardo DiCaprio detalha seu processo de filmagem de 'O Regresso'

- Atualizado: 29 Janeiro 2016 | 11h 09

Em sua sexta indicação, ator deve finalmente ganhar um Oscar

NOVA YORK  - Nas filmagens de O Regresso, novo filme de Alejandro González Iñárritu e que estreia na próxima semana, candidato a 12 Oscars, Leonardo DiCaprio sofreu por sua arte: entrou na água em temperatura negativa, carregou uma pele de 45 quilos, comeu fígado cru de bisão americano. Tudo para encarnar Hugh Glass, guia de uma expedição de caça de animais e comércio de peles no inexplorado e gelado norte dos Estados Unidos, em 1820. 

Atacado por um urso - numa das cenas mais impressionantes do ano -, ele é abandonado para morrer por John Fitzgerald (Tom Hardy), o homem que deveria protegê-lo.

O longa-metragem com fotografia de Emmanuel Lubezki (Oscar de fotografia em 2014 e 2015) foi inteiramente rodado com luz natural e levou nove meses para ser completado, também por conta de uma onda de calor no Canadá que fez com que precisasse ser completado na Argentina. DiCaprio, que concorre à quinta estatueta como ator (disputou também como produtor por O Lobo de Wall Street), finalmente é o favorito. Ele falou ao Estado

O ator. Missões como enfrentar um urso e comer fígado cru
O ator. Missões como enfrentar um urso e comer fígado cru

Você sempre está procurando personagens fortes. De onde vem isso? 

Talvez da minha avó... (risos) Não havia muitas informações sobre Glass, só de onde era, que foi atacado por um urso e percorreu centenas de milhas de território sozinho para se vingar do homem que o prejudicou. Mas eu sabia que este filme ia ser mais do que isso. É o que Alejandro trouxe ao projeto. No fim, a história é sobre essa perseverança em viver, o que há no espírito humano que nos faz querer sobreviver contra todas as probabilidades. 

Iñárritu é famoso por colocar os atores em situações extremas. Conseguimos ver um lado novo seu, não?

Isso que era interessante para mim como ator. Quando li o roteiro, sabia que Alejandro ia fazer disso algo especial, que íamos passar pela mesma coisa que aqueles homens, íamos mergulhar na natureza. Ela se tornou um personagem. Nem sei como fizemos esse filme. E ainda tinha o desafio de trazer os espectadores para esse mundo sem ter ninguém com quem contracenar boa parte do tempo. 

Em uma filmagem tão dura, dá para dizer que está atuando realmente?

Há muita interpretação envolvida. Mas a chave é fazer parecer que não há (risos). Claro que muito era reação. Nós planejamos cada tomada durante dois meses. Foi como uma experiência louca de teatro para conseguir uma única tomada todos os dias com a luz perfeita. Tivemos clima extremo. Não havia estúdio, estávamos expostos ao tempo. Como ator, jamais teria imaginado a paisagem a partir do roteiro. Então, estava sempre me reinventando e trabalhando com o diretor para tornar a experiência visceral para o público.

Oscar 2016: indicados a melhor filme
Divulgação
A grande aposta

Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. Veja o trailer.

Mas, quando está tão frio e molhado, de onde vem a energia para atuar? 

Sentia muito frio, todos os dias. E o principal problema eram minhas mãos. Muitas das coisas que você vê no filme realmente aconteceram, tirando algumas cenas com os animais, porque era impossível fazer de outra maneira. Alejandro queria que fosse realmente uma experiência. Esse filme para mim é como o neorrealismo, de muitas maneiras, mas estilisticamente feito com uma câmera voyeurística, dançando para dentro e para fora do drama, para dar espaço a essa paisagem impressionante. 

Você sentiu que não ia dar para continuar?

Acho que todos sentimos. Em muitas ocasiões diferentes. 

Pensa em dirigir?

Sim. Mas o problema é que esses cineastas são tão bons! (risos) A não ser que achasse uma história com a qual estivesse tão conectado que tivesse de fazer eu mesmo, prefiro persuadir um deles a trabalhar comigo (risos). Porque fazer filmes é complicado.

 

Tom Hardy, uma grata surpresa no Oscar

Tom Hardy foi uma das surpresas da lista dos indicados ao Oscar. Não que ele não merecesse estar entre os concorrentes ao prêmio de ator coadjuvante por sua interpretação de John Fitzgerald em O Regresso, de Alejandro González Iñárritu. O personagem é um dos membros da expedição de comércio de peles liderada pelo Capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson). Fitzgerald gosta de uma encrenca e pega no pé de Hawk (Forrest Goodluck), o filho mestiço do guia da jornada, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio). 

Depois de Glass ser atacado por um urso, Fitzgerald fica encarregado de lhe fazer companhia até sua recuperação - ou morte - enquanto o grupo segue adiante. Só que ele não cumpre o prometido. “Há uma verdade que Tom trouxe a Fitzgerald sem torná-lo um personagem abertamente do mal. Você se identifica com ele”, disse DiCaprio, também produtor do longa, em entrevista ao Estado. “Ele está tentando sobreviver tanto quanto Glass, mas num contexto diferente. E Tom é um ator tão instintivo, tão imerso em seu papel que, realmente, nós nos conectamos por meio desse mundo existencial, natural.” DiCaprio afirmou que insistiu para ter Hardy no filme, “porque Fitzgerald precisava dessa compaixão, não queria que ele fosse um inimigo calculista”.

O inglês de 38 anos tem fama de intenso, mas, na entrevista, está calmo e minimiza as dificuldades no set. “Só o clima era frio. Mas isso era essencial para termos o filme, porque se trata de viver na natureza, uma natureza severa”, disse. “Esses caras passaram por coisas bem complicadas. Suponho que, se você nasce num ambiente como aquele, adapta-se a ele.” Condições extremas não são novidade para o ator, que também está em Mad Max: Estrada da Fúria, que concorre a dez Oscar. A produção de George Miller foi adiada por anos, também por conta das mudanças climáticas. No fim, foi rodada, durante seis meses, no deserto da Namíbia. Os esforços valeram a pena: ao todo, os dois longas estrelados por Hardy somam 22 indicações ao Oscar.

* Veja a lista completa dos indicados para o Oscar 2016

 

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