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'Kubo' faz homenagem à cultura japonesa

Animação, dirigida por Travis Knight, avança a técnica do stop motion; não faltam sequências de aventura e monstros

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

21 Outubro 2016 | 23h23

PORTLAND - Uma visita ao set de filme de animação significa assistir a coisas feitas no computador – um reflexo de como são feitos esses longas-metragens hoje em dia. Mas não quando se trata de uma produção da Laika, que fica em Portland. Com dez anos de existência, o estúdio por trás de Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e Os Boxtrolls usa a antiga técnica de stop motion, aquela com bonecos movimentados manualmente milímetro por milímetro. Por isso, conhecer o set de Kubo e as Cordas Mágicas, em cartaz nos cinemas, envolve ver os bonecos, as roupinhas, os cenários e a ação sendo feita ao vivo.

Kubo e as Cordas Mágicas é a primeira animação da Laika dirigida por seu CEO e principal animador, Travis Knight, que fundou o estúdio com seu pai, também dono da empresa de artigos esportivos Nike. “Não sabia se podia ser animador, dirigir o filme e a companhia ao mesmo tempo”, contou Travis Knight. “Aí pensei: Ben Affleck atua e dirige. Sou pelo menos tão bom quanto ele! Na verdade, não sou tão bom. Fiz alguma animação, mas menos do que esperava.”

O filme é uma carta de amor à cultura do Japão, que Knight visitou pela primeira vez quando era criança, tendo ficado impressionado com a estética. Com influências dos cineastas Akira Kurosawa – um dos personagens é uma versão stop motion de Toshiro Mifune em Os Sete Samurais – e Hayao Miyazaki e do artista Kiyoshi Saito, que modernizou as tradicionais técnicas de gravura japonesas, conta a história de Kubo (voz de Art Parkinson na versão original), um menino japonês que vive com a mãe em depressão profunda numa caverna à beira do mar. Durante o dia, o garoto vai à vila para contar histórias munido de seu shamisen (instrumento tradicional) mágico, que dá vida a personagens feitos de origami. Perseguido pelas tias e pelo avô, Kubo precisa encontrar a armadura de seu pai, e, para isso, conta com a ajuda da Macaca (dublagem de Charlize Theron) e do Besouro (Matthew McConaughey).

Como costuma ser nos longas da Laika, há momentos sobrenaturais e cenas que se passam em cemitérios. “Queremos falar de coisas grandes, e não existe ideia maior que a mortalidade. Em ParaNorman, as cenas de cemitério eram aterrorizantes, em Kubo, tratamos como algo bonito, algo que faz parte da vida. A mortalidade, de certa forma, é o que dá significado à vida”, disse Knight. Ele não teme assustar as crianças. “Tudo bem que eu vi O Exorcista quando tinha 5 anos de idade. Mas acredito que é preciso conhecer nossas crianças e seus limites.”

Sua grande prioridade no filme era avançar a técnica. “O stop motion faz algumas coisas muito bem e outras nem tanto – por exemplo, fica devendo em espetáculo, em cenas de ação grandes. Queria contar uma história assim, um épico de fantasia.” Não faltam sequências de aventura e monstros, uma delas uma homenagem a Indiana Jones.

O estúdio consegue isso combinando a antiga técnica com tecnologia de ponta, que inclui a impressão em 3D de partes da face de cada personagem, com milhares de combinações possíveis, o que agiliza o processo. A invenção foi premiada neste ano com o Oscar de avanço técnico, exibido com orgulho pela equipe. O próximo passo é a expansão física para que possa ser produzido um longa por ano – a média atual é de um a cada dois. Um futuro bem mais promissor do que o da cadela cosmonauta que serviu de inspiração para batizar o estúdio e morreu na órbita da Terra nos anos 1950.

 

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