Kéfera lota Anhembi, mas não as salas de cinema

Youtube arrebentou num evento no fim de semana, mas os números de ‘É Fada!’ não contabilizam seu megassucesso nas redes sociais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 07h00

Um evento de youtubers no Anhembi – Digital Stars Xtreme – levou à histeria os fãs de Kéfera e Christian Figueiredo no fim de semana. A garotada foi o público dominante, mas ambos, e Christian mais ainda, fazem o crossover, atingindo desde crianças e adolescentes até seus pais e avós. Christian terminou a filmagem de cenas adicionais de seu longa Eu Fico Loko, previsto para estrear no ano que vem. O de Kéfera estreou no começo de outubro (dia 6).

Com seus 30 milhões de seguidores no YouTube e nas redes sociais, Kéfera Buchmann virou um fenômeno da internet. A aposta dos produtores Cris D’Amato e Daniel Filho – ela, também diretora – era de que, se pelo menos 10% desse público quisesse ver sua "ídola" no cinema, É Fada! já seria um sucesso. Afinal, 3 milhões de espectadores, num momento como o atual do cinema brasileiro, é coisa para comemorar. 

Quase um mês depois, É Fada! ainda não chegou lá, mas 1,48 milhão de espectadores, seu score no Filme B, está longe de ser fiasco. É verdade que um Paulo Gustavo faz muito mais – o trailer de Minha Mãe É Uma Peça 2 já passou dos 5 milhões de cliques na rede. É a grande esperança deste final de ano e princípio de 2016 para incrementar o ‘share’, participação do filme brasileiro no próprio mercado.

Daniel Filho e Cris D’Amato têm estado juntos em filmes como Confissões de Adolescente, que possui indiscutíveis qualidades. Ela assina megassucessos como S.O.S. Mulheres ao Mar 1 e 2, Linda de Morrer. Para a estreia de Kéfera, baseou-se num livro de Thalita Rebouças, Uma Fada Veio me Visitar. É a história de uma garota que sofre bullying na escola. Luna/Klara Castanho é boazinha e as meninas malvadas não a perdoam. Kéfera faz a madrinha que vem ajudá-la. Sua ‘mensagem’ é punk – seja pior que as outras. Isso significa maltratar todo mundo, incluindo o pai carinhoso (Sílvio Guindane).

Claro que Luna vai terminar mandando sua fada andar, mas de alguma forma o sortilégio funciona. Mais tolo que divertido e caprichado sem muita inspiração, o filme é meio híbrido. Carece de magia. E Kéfera? Na noite de estreia, postou – ‘Tô fazendo a plena nas fotos, mas suando no rego.’ Não é exatamente fino mas, com esse linguajar, seu público talvez estivesse lotando mais as salas.

 

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