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'Juventudes Roubadas' traça olhar da mulher na recriação da 1ª Guerra

Alicia Vikander excede no papel da autora inglesa Vera Brittain

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2016 | 16h00

Na quinta-feira, 14, a Academia de Hollywood fará o anúncio dos indicados para o Oscar. Será, talvez, a última chance de justiça para o belo filme que o inglês James Kent adaptou do livro cultuado de Vera Brittain, Testament of Youth. Quando estreou nos cinemas norte-americanos, Testament teve ótimas críticas e não foram poucos críticos que cravaram que Alicia Vikander tinha o que se chama de ‘Oscar winning performance’, uma atuação digna de Oscar. Mas o filme decepcionou na bilheteria e somente agora chega ao mercado brasileiro, em DVD. Embora improvável, a indicação para os prêmios mais cobiçados de Hollywood poderia ajudar a dar projeção ao belo filme de Kent.

Rebatizado como Juventudes Roubadas (no plural), começa de forma idílica, mostrando um fim de semana no campo, em 1914. Alicia faz Vera, que quer seguir uma carreira acadêmica, mas ninguém na abastada família põe fé em suas aptidões intelectuais. Como em As Sufragistas, mas num outro estrato social, os pais desencorajam Vera de lutar por seus direitos, na certeza de que a vida de uma garota de bem será definida pelo casamento. Vera ama o irmão e, a despeito das brigas familiares, passa horas felizes com ele e um amigo de ambos. Surge um terceiro rapaz, colega do irmão, e será o complicado amor da protagonista. Quem faz o papel é Kit Harrington, de Game of Thrones. O sucesso da série não foi suficiente para catapultar o ator no cinema.

Os rapazes partem para a guerra, Vera entra em Oxford e, com o recrudescimento dos combates, alista-se como enfermeira e vai servir na França. A guerra é vista do seu ângulo, recriada por seu olhar. O desperdício de vidas é brutal – as juventudes roubadas. A Vera da literatura é inspirada na autora, Vera Brittain, e o livro, ‘a memoir’, foi publicado em 1933, adquirindo a reputação de ‘clássico’ e de ser um testemunho fidedigno do drama de toda uma geração. Vera queria, inicialmente, ficcionalizar suas cartas e até o diário, mas o documentarista John Grierson, de quem se aproximara, convenceu-a de que um relato de não ficção seria mais apropriado. Em 1979, a BBC produziu uma minissérie adaptada do livro. E veio agora o filme de James Kent.

De King Vidor (A Grande Parada) a Stanley Kubrick (Glória Feita de Sangue) e Steven Spielberg (Cavalo de Guerra), a 1.ª Guerra rendeu na tela relatos terríveis. A versão de Kent é tanto mais acurada porque no imaginário do espectador existem sempre aqueles belos planos do princípio. Mostrar o horror do ângulo da enfermeira – o inferno dos hospitais substituindo o das trincheiras – introduz um novo dado na equação do que foi um massacre. O tom é muitas vezes épico, mas Kent não perde do intimismo e da dor humana. No centro de tudo, a sueca Alicia, que fornece a voz a Ingrid Bergman, lendo os textos da atriz no documentário de Stig Bjorkman, empresta beleza a intensidade a sua Vera Brittain e ajuda a entender por que essa inglesa terminou sendo o coração e a mente de uma geração roubada em seus sonhos.

JUVENTUDES ROUBADAS

Direção: James Kent

Distribuidora: 20th Century Fox Home Video

Gênero: Drama (colorido, 129 min.) 

Preço: R$ 62,90

 

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