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VALERIE MACON|AFP

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Jovens cineastas disputam Oscar de melhor estrangeiro

Nenhum dos cinco concorrentes ainda chegou aos 40 anos e três estão no primeiro filme

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Ubiratan Brasil - Enviado Especial,
O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2016 | 19h48

LOS ANGELES  - "Acredito que essa é a categoria mais importante do Oscar, pois seus concorrentes mostram não apenas o que Hollywood oferece, mas as diferentes novidades que o mundo tem a contar", disse o produtor Mark Johnson, na manhã deste sábado, 27, em Beverly Hills, antes do início do encontro entre os cineastas que disputam o Oscar de melhor produção estrangeira.

Johnson preside o comitê de mais de 300 eleitores responsável pela escolha dos finalistas e do vencedor. Sua fala não passaria de mera retórica em outros tempos - nos atuais, com a maior cerimônia do cinema mundial sendo bombardeada por críticas de diversos segmentos da sociedade (negros, latinos, mulheres, transexuais), desponta como uma exceção na indústria. Não à toa foi muito aplaudido.

O encontro na manhã do sábado tornou-se tradicional no que se chama Oscar Week, ou seja, uma série de atividades envolvendo diversas categorias da premiação e que permite uma proximidade do público com os concorrentes. Dessa vez, o time não estava completo: a cineasta turca Deniz Gamze Ergüven, do filme que representa a França, Cinco Graças, estava em trânsito, viajando de Paris a Los Angeles. “Ela ganhou o Cesar (o Oscar francês) na noite de sexta como melhor estreante, por isso não pode vir para nosso encontro”, explicou Johnson. “Aliás, três dos diretores concorrentes disputam com seu primeiro filme e nenhum dos cinco chegou aos 40 anos.”

Estavam presentes o colombiano Ciro Guerra (O Abraço da Serpente), o húngaro László Nemes (O Filho de Saul), o jordaniano Naji Abu Nowar (Lobo do Deserto) e o dinamarquês Tobias Lindholm (A War). “São filmes centrados em assuntos urgentes e, muitas vezes, apontam para diferentes caminhos”, comentou Johnson. “Assim, enquanto os personagens de O Abraço da Serpente lutam para manter vivas suas tradições, as meninas de Cinco Graças lutam contra a sua, ou seja, não querem casar com alguém escolhido pelos pais.”

“A Amazônia colombiana, onde filmei, é um mundo muito especial e exige uma grande concentração. É como se estivesse em um lugar totalmente à parte”, contou Ciro Guerra que, pelo fato de ter usado celuloide (e não o digital) e ainda ter rodado em 35 mm, tipo de lente hoje raramente utilizada, não podia fazer mais que duas tomadas de cada cena. “Tudo o que era filmado tinha de ser enviado para a Argentina, onde ainda existe um dos raros laboratórios que revelam filme de celuloide. Assim, esperávamos ansiosos a volta do material para ver como ficou.”

Guerra só conseguiu realizar uma filmagem no estilo “pré-histórico” graças à determinação de seus produtores, que bancaram a empreitada – o filme ainda foi rodado em preto e branco, o que dificultaria sua pretensão de boa bilheteria. Tal figura, aliás, foi elogiada por todos os cineastas, criadores de obras que fogem do padrão. “A imaginação não pode marcar apenas a equipe criativa. O produtor precisa também ser criativo para conseguir o dinheiro necessário para viabilizar longas que, num primeiro momento, ninguém acredita”, o jordaniano Nowar, que precisou aprender a conviver com beduínos no deserto para rodar seu longa.

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