Divulgação
Divulgação

Jennifer Lawrence é a alma de 'Jogos Vorazes', que estreia nesta sexta

Fracasso de 'John Carter ' coloca em discussão sequências como a do longa de Gary Ross que chega aos cinemas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 23h32

Detentora do recorde de público de 2011 nos cinemas do País – a primeira parte do episódio final de Crepúsculo, Amanhecer, fez 7,5 milhões de espectadores –, a Paris Filmes não obteve o que seria o destaque consequente. Favorecida pelos preços dos ingressos em 3D, a animação Rio, de Carlos Saldanha, faturou mais, mas a Paris já contabiliza o que espera que sejam outros 7,5 milhões de espectadores em novembro, quando a saga dos vampiros chegar ao fim. Na verdade, a distribuidora, e Márcio Fraccaroli, seu sócio majoritário e CEO, estão em outra.

Desembarca nesta sexta-feira, 23, nos cinemas do Brasil, o filme que promete ser o fenômeno do ano – Jogos Vorazes. Embora Crepúsculo ainda não tenha esgotado seu potencial, Fraccaroli diz que Jogos vem para preencher o vazio dos fãs de Crepúsculo e também de Harry Potter, o bruxinho de outra saga – e outra distribuidora, a Warner – criado pela escritora J.K. Rowling. O cinema sempre teve séries, sagas, franquias, mas nos anos 2000, na esteira de James Bond, O Poderoso Chefão, Star Wars e Star Trek, surgiram novos títulos. Missão Impossível, O Senhor dos Anéis, ao mesmo tempo um evento artístico e comercial, O Homem-Aranha.

Crepúsculo conquistou o público adolescente e criou o maior mito (jovem) do cinema atual, Robert Pattinson. Harry Potter fez o chamado ‘crossover’ (de idades e classes sociais), mas o episódio final da série – com mais de 4 milhões de espectadores –, ficou bem atrás de Amanhecer, no País. Somados os ‘órfãos’ das duas franquias, chega-se a 12 milhões de espectadores, um número que, nos últimos anos, somente Tropa de Elite 2, de José Padilha, alcançou no Brasil. Fraccaroli se permite sonhar com a cifra extraordinária e arrisca – se for um fracasso (toc, toc, toc, ele bate na madeira ), Jogos Vorazes fará ‘mísero’ 1,5 milhão de espectadores (e já é um número a se comemorar).

 

 

Números, números, números. E o filme? “Como produto, é muito melhor do que o primeiro Crepúsculo”, define Fraccaroli e agora não é mais o comerciante de filmes quem fala. A Paris investe numa linha de entretenimento para faturar, mas a carteira da distribuidora contempla produtos mais sofisticados. A Paris ganhou dinheiro com o novo Woody Allen, Meia-Noite em Paris; lançou O Artista, do francês Michel Hazanavicius, que faturou o Oscar deste ano; A Dama de Ferro, que deu o Oscar para Meryl Streep; e Shame, de Steve McQueen, que, mesmo sem Oscar nenhum, é muito bom. A Paris não vai esperar e em 1.º de junho chega aqui o Roma de Woody Allen.

Com Jogos Vorazes, serão, a partir desta sexta, 620 salas a lançar, em digital e película, o filme assinado por Gary Ross. Gary quem? Ator, roteirista e diretor, Ross fez, anos atrás, um azarão que disputou o Oscar, Seabiscuit. Já era um filme sobre uma competição – sobre um cavalo que superava seus limites e virava campeão, conduzido por um jóquei que também precisava superar seus medos (interpretado por Tobey Maguire). Gary Ross, um autor? Pois Jogos Vorazes também trata disso. Na Terra do futuro, um poder central se estabeleceu a ferro e fogo em Panem e agora exige que, todo ano, os distritos (12) enviem dois jovens, considerados ‘tributos’, para os jogos do título. São jogos mortais, dos quais sairá somente um participante vivo.

Jogos Vorazes não é só um produto bem feito. A força do filme vem da sua heroína, e do carisma da atriz que a interpreta. Baseia-se no livro de Suzanne Collins, que coassina o roteiro (com o diretor). Em seu distrito, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se apresenta como voluntária para ocupar o lugar da irmã, quando a menina é selecionada. Ela forma dupla com Peeta (Josh Hutcherson), criando o mito do casal de amantes desafortunados que incendeia a imaginação do público e os transforma em favoritos na transmissão de TV, pois os jogos viram um reality show.

A disputa mortal, a TV, tudo aproxima Jogos Vorazes de O Sobrevivente, com Arnold Schwarzenegger, que Paul Michael Glaser dirigiu em 1987. A proximidade é superficial. Com sua estética multicolorida (que Jogos reproduz em parte), O Sobrevivente era um veículo para o exterminador. Katniss consegue ser uma heroína ética, solidária. O filme desenha o que serão o segundo e o terceiro episódios – no 2, haverá um triângulo com Gale (Liam Hemsworth) e, no 3, o combate contra o poder central de Panem, encarnado por Donald Sutherland.

Mesmo bem feito – mais do que qualquer episódio de Crepúsculo –, o primeiro Jogos Vorazes representa um investimento de US$ 80 milhões da Lionsgate, um terço do custo do primeiro filme de outra franquia, John Carter – Entre Dois Mundos, que a Disney já admitiu que foi um fracasso (e ameaça cancelar). Dependendo da bilheteria, Fraccaroli arrisca que a Lionsgate vai investir mais dinheiro no 2, cujo planejamento está sendo feito neste momento. Ele explica o sentido da franquia. Cada filme é tratado de forma independente, com diferentes diretores. “Busca-se o melhor para contar a história, que é o que importa.” A de Jogos Vorazes vai prender sua atenção. E, ah, sim, se Crepúsculo era programa de meninas, Jogos Vorazes tem jeito de pegar, e bem, também os meninos.

Mais conteúdo sobre:
Jogos Vorazes John Carter cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.