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Cultura

Jason Priestley

Jason Priestley fala sobre o prazer de atuar em 'Zoom'

Eternizado como Brandon Walsh, de ‘Barrados no Baile’, dos anos 1990, ator foi dirigido por Pedro Morelli

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

22 Março 2016 | 19h29

Jason Priestley nem liga mais. Passaram-se 16 anos desde o fim de Barrados no Baile, mas, em todo o mundo, ele continua sendo identificado como Brandon Walsh. Irmão gêmeo de Brenda/Shannen Doherty, mudavam-se com a família para Beverly Hills, e era o título original, Beverly Hills 90210, da série apresentada durante quase dez anos pelo canal Fox, entre outubro de 1990 e maio de 2000. O acréscimo numérico ao título refere-se ao código postal de uma das regiões mais elitistas da Califórnia e dos EUA.

Brandon Walsh e Brenda estudavam na exclusiva (e fictícia) West Beverly Hills High School e, como todos os demais adolescentes, eram confrontados com problemas de identidade, droga, sexo. “O programa era muito bem escrito e dirigido, e até avançado para a época. Foi muito influente. Tenho o maior orgulho de ter feito parte daquela experiência.” E ele acrescenta: “Além de ator, sou também diretor e até nisso o Barrados foi importante para mim. Foi lá que comecei a dirigir.”

Ele conta essas coisas num encontro com o repórter num hotel da região da Avenida Paulista, na segunda-feira, 21, à tarde. Priestley, de 46 anos – nasceu em Vancouver, no Canadá, em agosto de 1969 –, veio à cidade para promover o lançamento de Zoom. O filme estreia dia 31 em 100 salas. Priestley participou da junket com o diretor Pedro Morelli e a atriz Mariana Ximenes. Elogiou os dois. “Mariana é linda e talentosa e Pedro, além de ser o mais jovem diretor com quem trabalhei, mais jovem do que eu quando comecei a dirigir, também é dos bons. Como sou diretor, posso dizer que o que se exige de quem exerce a função é que seja focado, e isso ele é. No set, Pedro dava a impressão de ter o filme na cabeça. Era seguro mas não prepotente. Ouvia as sugestões de atores e técnicos e, eventualmente, aceitava.” E Priestley acrescenta, em português: “Muito bom”.

Admite que tem o espírito aventureiro. É fascinado por corridas de carro. Foi comentarista e chegou a correr profissionalmente. Sofreu um grave acidente em 2002, quando seu carro, a 290 km por hora, chocou-se com o muro de proteção nos treinos para a prova Kentucky Speedway. Não quer falar sobre isso. Faz um gesto vago com a mão, um floreio no ar. “Passou.” Como chegou ao projeto Zoom? “Através da produtora canadense Rhombus Media. Eles me enviaram o roteiro, achei intrigante. Não conhecia Pedro, mas aí me informaram que a empresa produtora era a mesma de Cidade de Deus, que é um grande filme. Por que não?, pensei comigo. Vim para o Brasil há dois anos, quando filmamos, e não me arrependo.” Zoom integrou a seleção do Festival de Toronto, no ano passado, na seção Vanguarda. “Quando recebi o roteiro, fiquei intrigado pela estrutura narrativa. Três personagens cujas histórias se desenrolam entre animação e live action, e de tal maneira que uma se abre na outra, como se cada personagem estivesse vivendo a aventura criada pelo outro. Achei muito engenhoso, meio Charlie Kaufman, e fiquei imaginando como seria o maluco que ia contar essas histórias.”

Adorou a cidade. “São Paulo tem uma vibe muito forte, é pulsante. Come-se muito bem, a vida cultural é intensa. Não deve muito a Los Angeles, onde estou baseado.” Priestley confessa-se cinéfilo de carteirinha. “Assisti aos screening que a Academia promoveu de quase todos os filmes indicados para o Oscar. Adorou O Regresso, de Alejandro González-Iñárritu. “Foi um filme muito difícil de fazer”, avalia. E Leonardo DiCaprio, mereceu seu Oscar? “Com certeza. Um papel complexo daqueles é o sonho de todo o ator.”

Gostou muito, também, de O Quarto de Jack. Interessa-se quando o repórter informa que há um filme brasileiro similar, e ainda melhor. Quer saber detalhes de Urutau, de Bernardo Cancella Nabuco. Repete o título, para aprender: “Ur-u-tao”. Uma confissão – Jason Priestley é pai de Dashiell Orson e Ava. Alguma possibilidade de que os nomes sejam homenagens a Orson Welles e Ava Gardner? “Alguma não, toda”, responde. Não teme a obviedade e cita Cidadão Kane como seu Welles preferido. Empaca ao escolher a sua Ava. A Condessa Descalça, de Joseph L. Mankiewicz?, o repórter arrisca. “Pode ser, mas também gosto muito de A Noite do Iguana (de John Huston)”, confessa.

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