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Mario Anzuoni|Reuters

Em livro, William Shatner descreve a amizade com Leonard Nimoy

Este ano serãp comemorados os 50 anos da série 'Star Trek', que imortalizou seus personagens Capitão Kirk e o Senhor Spock

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Ian Spelling,
THE NEW YORK TIMES

02 Fevereiro 2016 | 18h10

Ao longo dos anos, William Shatner escreveu dezenas e dezenas de livros. Na verdade, quase 90 – sim 90! – levam sua assinatura, dentre eles Star Trek e Tekwar; uma autobiografia; um livro de memórias sobre Star Trek; livros de “faça você mesmo” e publicações sobre outros temas. De todos eles, com exceção de sua autobiografia de 2008, Up Till Now (“Até Agora”, em tradução livre), nenhum deles foi tão pessoal para o ator/autor como seu último Leonard: My Fifty-Year Friendship with a Remarkable Man (“Leonard: meus 50 anos de amizade com um homem notável”, em tradução livre).

Leonard, obviamente, é Leonard Nimoy, que interpretou o lógico e nada emotivo personagem senhor Spock, contraponto ao capitão James T. Kirk de Shatner, que agia de improviso e era bastante emocional na icônica série de ficção científica Star Trek (1966-1969) e em seis filmes feitos para o cinema. Os dois homens, no final das contas, passaram 50 anos não apenas como colegas, mas também como amigos, que também tiveram lá suas discussões.

Num mundo perfeito, Shatner e Nimoy estariam juntos, de braços dados, participando neste ano de uma série de eventos comemorativos do 50.º aniversário de Star Trek com fãs da série. Infelizmente, Nimoy morreu em 27 de fevereiro de 2015, aos 83 anos, encerrando o relacionamento entre eles e frustrando os esforços de Shatner de superar uma rusga ocorrida nos últimos anos de vida de Nimoy.

Leonard, escrito por Shatner e David Fisher, descreve a ligação entre os dois atores, assim como os altos e baixos da longa amizade. Durante conversa por telefone com Shatner, de 84 anos, que estava em sua casa em Los Angeles, ele demonstrou grande vitalidade. “Não sei muito sobre amizade e como definir essa palavra, esse tipo de irmandade entre duas pessoas”, disse ele. “Há uma citação muito boa, que não é minha, que diz que ‘um amigo é alguém que sabe tudo sobre você e ainda te ama’.”

Antes de se sentar em frente a um computador para escrever Leonard, Shatner entrevistou amigos em comum, assim como o filho de Nimoy, Adam, e debruçou-se sobre histórias que encontrou na internet. Foi na rede, por exemplo, que ele encontrou vários artigos sobre o extenso amor de Nimoy pela fotografia e textos a respeito de suas extraordinárias ações de filantropia.

“Fiquei surpreso ao perceber o quão complexo eram seus vários interesses e quanto talento ele tinha em outras áreas além da interpretação”, declarou Shatner. “No decorrer dos anos, não tive completo conhecimento de tudo o que ele fazia. Então, quando eu vi exemplos do que ele estava fazendo, fui afetado de uma forma que....queria ter tido conhecimento dessas atividades antes.”

O leitor vai ficar sabendo tanto sobre a vida e a carreira de Shatner como a de Nimoy. De forma inteligente, Shatner justapõe suas memórias de infância, de sua luta como um jovem ator e da experiência da fama com Star Trek, com uma narrativa de Nimoy.

Rompimento. Shatner explica no livro que Nimoy havia participado de vários documentários dirigidos pelo intérprete do capitão Kirk, mas recusava-se a falar sobre um, chamado The Captains. Aparentemente, um dos integrantes da equipe técnica do documentário de Shatner gravou imagens de Nimoy durante uma convenção sem o consentimento do ator, o que o deixou furioso. Ele, de certa forma, cortou todas as ligações com Shatner. Compromissos de trabalho ocasionalmente colocavam os atores na companhia um do outro, mas aparições públicas ou jantares particulares com a participação dos dois deixaram de acontecer. Por mais que tentasse, escreve Shatner, ele nunca conseguiu convencer Nimoy a discutir o que suscitou sua ira. Nem sequer tem certeza de que foi algo que tivesse a ver com o incidente na convenção./TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

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