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'Histórias de Amor' tenta unir romance, comédia e drama

Reuters

11 Março 2010 | 20h 03

Escritor vive crise existencial-amorosa por conta de muitas insatisfações; com Caio Blat e Maria Ribeiro

A certa altura a comédia romântica "Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos", que estreia em São Paulo e no Rio de Janeiro, faz o público questionar seu próprio título. Será que todas as histórias de amor merecem todo esse tempo na tela? Aparentemente, não.

 

video Trailer de 'Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos'

 

Marcando a estreia na direção do roteirista Paulo Halm ("Pequeno Dicionário Amoroso"), o filme parece ter desembarcado de alguma máquina do tempo, vindo direto dos anos de 1980, quando um certo artificialismo estava em voga, e parecia divertido tentar imitar Woody Allen ou Domingos Oliveira.

 

A trama gira em torno de Zeca (Caio Blat, "Os Inquilinos"), e suas crises existenciais-amorosas por conta de suas insatisfações pessoais e maritais.

 

Ele é casado com Julia (Maria Ribeiro, de "Tropa de Elite"), uma mulher bastante diferente dele. Enquanto ele é acomodado numa vida sem qualquer ambição, vivendo da mesada que o pai (Daniel Dantas), lhe dá da herança da mãe, ela é mais bem resolvida em todos os planos, e cheia de sonhos e ambições.

 

Zeca diz escrever um romance, mas empacou na página 50 e duvida de seu suposto talento. Com tanto tempo vago, ele entra numa paranoia de que sua mulher tem um caso com a amiga argentina, Carol (Luz Cipriota), e começa a seguir a moça. Não é nenhuma surpresa que o rapaz vai se apaixonar pela outra garota. Mas o que mais surpreende é como a relação se desenrola, com alguns momentos, como a primeira transa, envolvendo um misto de sadismo e mau gosto.

 

O rapaz se envolve com as duas mulheres, o que o faz se sentir levemente culpado, mas nem tanto, pois ele aproveita bem as tardes com a argentina e as noites com sua mulher. Ainda assim, ele suspeita que elas têm um caso.

 

A única pessoa minimamente sensata em todo o filme é o personagem do pai dele, que cobra do filho atitudes mais condizentes com sua idade. Ele projeta no rapaz os seus sonhos, afinal, ele mesmo é um escritor frustrado. Mas, com suas cobranças, é também capaz de mostrar como Zeca ainda tem muito que amadurecer.

 

Como a maior parte dos filmes que usa uma narração em off, o texto é redundante, quando não brega e desnecessário. O tom dessa narração é um meio termo entre floreios de novelas românticas do século 19 e romance policiais de clima noir.

 

A redundância faz parecer que o diretor não crê muito na capacidade de entendimento de seu público, portanto, precisa explicar cada coisa para que não fiquem dúvidas de que Zeca esteja ou sofrendo, ou amando, ou perdido na vida. É curioso que um filme escrito por um roteirista seja tão pobre exatamente no texto.

 

Ao longo de seus 90 minutos - que parecem bem mais - "Histórias de Amor..." fala de amor, amadurecimento, personalidade e a busca pelo lugar no mundo. Tudo isso misturando toques de drama e pitadas de um humor sem muita graça. É como se o filme ainda não tivesse decidido o que gostará de ser quando crescer - como o seu protagonista.(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)