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Cultura

Diretor

'Há mais gente engraçada hoje', diz Judd Apatow

Diretor ficou famoso por 'Virgem de 40 Anos' e 'Bem-Vindo aos 40'

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Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO,
O Estado de S.Paulo

08 Março 2016 | 04h30

LOS ANGELES - Judd Apatow virou uma espécie de patrono da comédia. Diretor de filmes como O Virgem de 40 Anos (2005) e Bem-Vindo aos 40 (2012), ele ficou famoso também por produzir a série Girls com Lena Dunham e o longa Descompensada com Amy Schumer - as duas são também importantes porta-vozes do feminismo no entretenimento. 

Enquanto Girls, exibida pela HBO em sua quinta e penúltima temporada, se prepara para o seu fim, em 2017, Apatow também está no ar com Love, criada por ele, Paul Rust e Lesley Arfin, na Netflix. O assunto, como o título indica, é o preferido do produtor, diretor e roteirista: os relacionamentos amorosos. O nerd Gus (Paul Rust) acaba de terminar um longo namoro quando conhece Mickey (Gillian Jacobs). A série segue o dia a dia da relação, como explica Apatow na entrevista ao Estado.

O que procura num comediante ou roteirista?

Eu tenho olhos de fã, de querer ver aquela pessoa fazendo tal coisa. Se não existe, vou tentar produzir. Com Amy Schumer, pensei em como seria legal vê-la num filme. 

É um bom momento para a comédia?

Sim. A internet encorajou as pessoas a serem criativas. Tem tanta gente fazendo que é preciso ser original e ousado. Há muito mais gente engraçada hoje do que quando eu era criança. 

O que há de comédia no amor?

O instinto básico para Love foi: e se Ligeiramente Grávidos fosse uma série de TV? Daria para mostrar o desenvolvimento de uma relação. Acho que, por isso, meus filmes são longos, é preciso tempo para explorar os personagens. Para mim, fazer uma série para a Netflix é criar um longa de cinco horas de duração, com pausas para ir ao banheiro. 

Como não fazer apenas mais um filme sobre relacionamento?

Numa relação amorosa, no primeiro ano você esconde quem é realmente. Devagar, a outra pessoa vai descobrindo quem você é e não fica nada feliz (risos). E então é preciso decidir se você quer tentar crescer, mudar, ouvir. Cada um desses estágios é interessante. Não vi nada disso explorado no cinema, porque algumas dessas questões são tão sutis que não dá para pôr num filme. 

E como essa história termina?

Sinto que com a Netflix dá para terminar como deve. Não é como no cinema em que, se o final não for feliz, a bilheteria é afetada. E assim vários desfechos são descartados - na vida real, muitas vezes, uma história de amor termina de maneira estranha ou incômoda. 

Aqui, o cara nerd e desajeitado, mais uma, vez fica com a mulher supersexy. Por que não pode haver uma mulher realmente nerd e desajeitada no cinema ou na TV?

Mas nós temos. 

Sim, mas ela é bonita.

Bom, mas quem disse que o Paul Rust não é bonito? Todas essas definições sobre quem é bonito, quem é nerd, quem há de saber? Hoje em dia, os nerds dominam o mundo. E eles vão estar com todo o tipo de pessoa. Não é mais como 30 anos atrás, quando ele era o cara de óculos emendado que jamais conseguiria uma garota. O nerd hoje é Bill Gates. 

Muitos talentos do cinema agora estão fazendo televisão, por causa do espaço e da liberdade. 

Muito cineasta está tentando fazer seu filme dos sonhos há tempos. Aí, recebe um convite da HBO, Netflix ou Amazon para fazer uma série com o mesmo tema. Já era, ele nunca vai fazer o longa. Acho que todo o cinema independente vai se transferir para os serviços de streaming. E aqueles que são caros demais para serem independentes também, como os dramas de US$ 30 milhões. Minha esperança é que esse tipo de filme, impossível de fazer hoje em dia, volte graças ao streaming.

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