Gabriel Bouys/AFP
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Goya 2018 premia ‘La Librería’, ‘Handia’ e curta sobre Woody Allen

Nathalie Poza e Javier Gutiérrez foram os melhores atores; Isabel Coixet, a melhor diretora por ‘La Librería’, que ganhou como o melhor filme; atrizes levaram leques em que se lia '#+Mujeres'

Redação, O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2018 | 22h55

Mais importante prêmio do cinema espanhol, o Goya anunciou, na noite deste sábado, 3, o vencedores de sua 32.ª edição em cerimônia realizada em Madri e que contou com falas, sobretudo no tapete vermelho, sobre igualdade e respeito a mulheres. Carla Simón, premiada como diretora estreante por Verão 1993, subiu ao palco com um leque, presente também na plateia e nas mãos de outras premiadas, em que se lia: #+Mulheres. Já Penélope Cruz disse, na entrada da premiação: “Quando nós, mulheres, pedimos igualdade, é igualdade. Juntas poderemos fazer com que as coisas mudem”.

Uma das primeiras categorias a revelar o resultado foi a de curtas de animação. O vencedor, Woody & Woody, presta, em 12 minutos, uma homenagem a Woody Allen. O filme mostra, por meio de desenhos animados, um diálogo entre o cineasta aos 45 anos e seu alter ego de 80. 

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A roteirista Laura Gost afirmou, ao receber o prêmio ao lado do diretor Jaume Carrió, que só tem “uma certeza sobre o protagonista desta história: que ele é um gênio e um autor imprescindível da história do cinema”. O curta não toca na denúncia de assédio, não julga seu comportamento ou diz se é culpado ou não do que está sendo acusado - o abuso sexual de sua filha adotiva Dylan Farrow, quando ela tinha 7 anos. Nos anos 1990, ele foi julgado e inocentado.

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O melhor filme desta edição do Goya foi La Librería, que rendeu à Isabel Coixet o prêmio de melhor direção - ela era a única mulher entre os indicados nesta categoria - e o de melhor roteiro adaptado.

Outra diretora foi premiada nesta noite. Carla Simón, que representou a Espanha no Oscar com seu primeiro longa, Verão 1993, ganhou como diretora estreante. Em seu discurso, ela dedicou o prêmio especialmente a seus pais, a todos as pessoas de sua geração que morreram de aids e às atrizes mirins de seu festejado filme: Laia Artigas e Paula Robles.

Premiado também na Berlinale, Verão 1993 é um delicado e emocionante filme sobre infância, ausência e família. Na obra, a menina Frida (Laia Artigas) perde, em sucessão, pai e mãe, ambos vítimas da aids. Órfã, deixa então Barcelona e vai morar com os tios numa fazenda no interior da Catalunha. Do elenco do filme, Bruna Cusí venceu como atriz revelação e David Verdaguer, como ator coadjuvante.

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Javier Gutiérrez, de El Autor, foi o melhor ator - ele concorria com, entre outros, Javier Bardem por sua atuação em Amando Pablo. Nathalie Poza, por No sé decir adiós, foi a melhor atriz. Já o prêmio de melhor atriz coadjuvante foi para Adelfa Calvo, por seu trabalho em El autor

O prêmio de roteiro original foi para Aitor Arregi, Andoni de Carlos, Jon Garaño e Jose Mari Goneaga, por Handia, o filme com mais indicações e que levou, ainda, vários prêmios técnicos. 

O melhor longa de animação foi Tadeo Jones 2. El secreto del Rey Midas e o melhor documentário foi Muchos hijos, un mono y un castillo, de Gustavo Salmerón. O chileno Uma Mulher Fantástica foi premiado como o melhor filme iberoamericano e o sueco The Square foi o melhor europeu. 

Tapete vermelho. Antes do início da premiação, no tapete vermelho, a atriz Penélope Cruz disse: “Nesta profissão, como em qualquer outra, todas temos sofrido com o machismo. Às vezes, as coisas são muito sutis e passam batido, mas elas vão nos minando”. “Quando nós, mulheres, pedimos igualdade, é igualdade. Juntas poderemos fazer com que as coisas mudem”, disse ainda.

"Isso tudo é geral e em nível mundial. Ninguém pode recriminar alguém por não ter contado essas coisas antes. Essas pessoas se veem sem recursos e com medo de falar - e é isso o que está acontecendo”, completou.

 

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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