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Governo lança programa Brasil de Todas as Telas

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 17h 29

Ministério da Cultura vai destinar mais de R$ 480 milhões para produção, distribuição e programação de conteúdo audiovisual no País, como parte de um investimento total de R$ 1,2 bilhão

O Ministério da Cultura lançou ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, o programa Brasil de Todas as Telas, que vai destinar ao todo R$ 1,2 bilhão para produção, distribuição e programação de conteúdo audiovisual, com o principal objetivo de “aumentar o mercado interno e universalizar acesso aos serviços audiovisuais no País”. 

“Não tínhamos a força e os recursos para implementar a Lei da TV Paga (que desde 2011 obriga canais a ter produções nacionais), com a densidade que ela merecia”, disse a ministra da Cultura Marta Suplicy ao Estado. “Ao todo, se somarmos os R$ 413 milhões investidos no setor em dezembro de 2013, mais R$ 310 milhões para a implantação e a digitalização de salas de cinema no programa Cinema Perto de Você, aos R$ 480 milhões que acrescentamos hoje, teremos R$ 1,2 bilhão para investimento em cinema no período de um ano. Nunca tivemos isso. É sete vezes o montante de 2002”, continuou a ministra. 

ANDRE DUSEK/ESTADAO
A presidente Dilma em cerimônia que contou com a presença da ministra Marta Suplicy, do vice-presidente Michel Temer, do governador do Ceará Cid Gomes e do cineasta Roberto Moreira

O lançamento do programa foi apresentado pelo ator Cauã Reymond e contou com a participação, além da ministra, da presidente Dilma Rousseff e do diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, além de Cid Gomes, governador do Ceará, do vice-presidente Michel Temer e do ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante, entre outros. Também estiveram presentes dezenas de cineastas e produtores de audiovisual, como Cacá Diegues, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto, Vania Catani, Paulo Boccato, Roberto Moreira, Luiz Bolognesi e Mariza Leão, entre outros. 

O montante a ser investido integra o orçamento de 2014 destinado ao audiovisual e será repassado por diferentes modalidades financeiras, como concursos, apoios e financiamentos do BNDES. “A Ancine antes não tinha o número de pessoas suficiente para realizar estas operações. Serão nomeados 17 novos profissionais que vão passar a integrar o corpo da instituição”, disse a ministra. 

Marta também explicou que o objetivo do Brasil de Todas as Telas é “posicionar o Brasil entre os cinco maiores centros produtores e programadores de conteúdo audiovisual do mundo”. “Para isso, é preciso expandir o mercado interno, universalizar o acesso da população aos serviços audiovisuais e investir em produção, distribuição e programação de conteúdos. Vamos botar o País definitivamente no mapa do cinema mundial”, afirmou a ministra. 

Formulado com base no Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual, o Brasil de Todas as Telas é uma parceria entre o Ministério da Cultura, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e representantes do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). As ações do programa serão estruturadas em torno de quatro eixos principais: desenvolvimento de novos projetos e obras audiovisuais brasileiras; produção e difusão de obras audiovisuais brasileiras na TV e nos cinemas; capacitação e formação profissional; e implantação e modernização de salas de cinema. 

“O diálogo com o setor nos últimos 12 anos possibilitou a construção de uma política pública consistente que tem apresentado resultados expressivos”, declarou, na ocasião, Manoel Rangel. "Nos últimos anos, a ocupação do mercado de cinema por filmes brasileiros aumentou de forma sustentada; na TV, temos cada vez mais conteúdo e canais nacionais; o parque de salas cresce e descentraliza. O programa Brasil de Todas as Telas conjuga ações que irão promover ambiente de inovação, concorrência e parceria que irá fortalecer ainda mais os agentes do setor e a produção independente feita no Brasil", acrescentou o diretor-presidente da Ancine. 

“Isso é muito interessante. O investimento é muito forte em produção de conteúdo”, observou Marta. “Hoje temos muita gente boa no mercado que não tem como levar suas ideias à frente. Outra coisa que vai ajudar muito é o fato da Ancine abrir os canais financeiros de parceria para agentes sem operação estruturada a partir dos mecanismos de financiamento público ao audiovisual, ou seja, programadoras, instituições de ensino e governos estaduais vão ter canais de financiamento que hoje não têm. Isso vai fazer diferença também”, analisou a ministra. 

O cineasta Cacá Diegues destacou as ações do programa estão voltadas para um cenário de longo prazo. “Uma grande qualidade é o investimento em infraestrutura, uma coisa que não é pra acabar no ano que vem. É uma coisa que pode transformar o cinema brasileiro em atividade permanente no País”, avaliou.

“O Brasil de Todas as Telas é parte do nosso esforço para fazer justiça a esta imensa criatividade do nosso País e transformá-la ainda mais na base de uma pujante indústria cultural nacional. Vamos fortalecer nossa indústria, criando recursos e condições para a produção audiovisual”, disse a presidente Dilma Rousseff, que lançou o programa às vésperas das limitações impostas pela legislação eleitoral.  

Dilma ainda afirmou que o Palácio do Planalto está ofertando o “maior volume de recursos para o audiovisual” e acrescentou: “Este fundo, de R$ 1,2 bilhão, é o maior programa já destinado ao audiovisual, sobretudo sobre o conjunto de iniciativas que abrangem os elos da cadeia, desde o roteiro até a modernização do parque exibidor e do incentivo à pesquisa. Do tamanho compatível ao talento e à criatividade dos nossos produtores audiovisuais.” 

No encontro, ainda foi anunciada uma ação de financiamento às produções para veiculação nas TVs públicas, com destaque para as TVs comunitárias e universitárias. Ainda serão detalhados os investimentos na implantação e digitalização de salas de cinema pelo programa Cinema Perto de Você. “Vamos investir muito na capacitação de jovens por meio do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) do Audiovisual. Nossa meta no período de um ano é capacitar dois mil jovens”, afirmou Marta. 

COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA E EDUARDO RODRIGUES/ BRASÍLIA