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JOHN MACDOUGALL| AFP

Gerard Depardieu faz busca existencial no Festival de Berlim

Em 'The End', de Guillaume Nicloux, ator interpreta um homem que sai para caçar com seu cão e se perde na floresta

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AFP

16 Fevereiro 2016 | 10h42

Perdido em uma floresta ou nas rotas dos vinhedos francesas, o astro do cinema francês Gerard Depardieu protagoniza dois filmes apresentados na Berlinale, encarnando personagens em busca do sentido da vida ou o amor.

Em The End, de Guillaume Nicloux, exibido em uma das seções paralelas do festival, Depardieu, que chegou a Berlim no domingo, 14, para apresentar seu filme, interpreta um homem que sai para caçar com seu cão e se perde na floresta.

Praticamente onipresente na tela por quase uma hora e meia, Depardieu caminha e escala rochas com dificuldade, ronca e transpira.

Ele perde seu cachorro e sua arma, antes de ter encontros estranhos, em um calvário pontuado por momentos de monólogo nos quais pede socorro em vão.

"A filmagem foi muito rápida. Tinha engordado muito. E acima de tudo, foi muito surpreendente para mim, correspondeu a uma época em que eu era como meu corpo, o que significa que não havia nada na minha cabeça", declarou o ator no festival.

"Guillaume Nicloux me fez andar muito. É horrível caminhar quando você está gordo, quando você está cansado. É um pesadelo", acrescentou o ator ao admitir que seu corpo o deixa "doente".

Com uma intriga minimalista de sua errante viagem, que explora as questões da solidão, violência e culpa, o ator de 67 anos, que se define como "um viajante do mundo", toma com sua presença o controle total da tela.

Trata-se de sua segunda colaboração em poucos meses com Nicloux (O secuestro de Michel Houellebecq) após Vale do Amor, junto a Isabelle Huppert. 

Densidade excepcional. Como em Vale do Amor, ficção e realidade se sobrepõem em The End. De acordo com Guillaume Nicloux, que pretende "explorar regiões entre o documentário e a ficção, o filme em forma de metáfora é uma "busca existencial" que responde a tudo o que se projeta sobre a figura desse ator particular.

"Estávamos ansiosos para filmar juntos", explicou à AFP o diretor, que vê em Depardieu "uma criança e um ogro" e "uma pessoa única".

"O que é bastante surpreendente, fascinante e comovente, é que este é alguém com uma densidade excepcional que consegue transmiti-la fora do set", acrescenta o diretor de 49 anos.

Segundo ele, o ator carrega em si, "algo que se assemelha a um pesadelo, algo doloroso, explosivo, mas sempre radiante".

Célebre por sua interpretação instintiva, inesgotável capacidade para o trabalho ou até mesmo seus excessos e explosões, Depardieu também é protagonista em outro filme apresentado fora de competição na Berlinale: "Saint-Amour", road movie de Gustave Kervern e Benoît Delépine.

Neste filme, que mistura humor e emoção, ele incarna Jean, um agricultor que, de repente, decide levar seu filho Bruno (Benoît Poelvoorde) para viajar e percorrer a rota dos vinhos para alcançar uma aproximação com ele.

O ator, que já havia atuado para Gustave Kervern e Benoît Delépine em "Mammuth" - em competição na Berlinale de 2010 - e em "Le Grand Soir", aparece comovente no papel de um pai amoroso que sai errante com seu filho para tentar colocá-lo no bom caminho. 

Segundo Benoît Delépine, "Gérard Depardieu como camponês era evidente, a partir do que ele é, tanto física como mentalmente". 

"É tão forte ter atores assim", acrescenta Gustave Kervern.

 

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