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EFE|Guido Bergmann|Bpa | Handout

George Clooney encontra Angela Merkel para discutir crise dos refugiados na Europa

Ator está participando do Festival de Cinema de Berlim para promover o filme 'Ave, César!'

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O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2016 | 10h01

BERLIM - O ator George Clooney e sua esposa, a advogada Amal Clooney, tiveram um encontro privado com a chanceler alemã Angela Merkel, nesta sexta-feira, 12, para discutir a crise na Síria e os esforços europeus para auxiliar os refugiados.

O ator, que está participando do Festival de Cinema de Berlim, também foi acompanhado no encontro de 40 minutos pelo ex-secretário britânico de relações exteriores, David Miliband, que agora comanda o Comitê Internacional de Resgate.

Miliband disse após o encontro que eles discutiram o que os países ao redor do mundo podem fazer para resolver "um problema global, não apenas um problema da Síria ou uma questão da Alemanha".

Ele elogiou Merkel por "mostrar uma liderança muito forte e ser um exemplo não apenas para a Europa mas para o mundo" durante a crise de refugiados.

Os Clooney planejam visitar um campo de refugiados em Berlim ainda nesta sexta.

Coletiva. Nesta quinta-feira, 11, enquanto todos aguardavam George Clooney falar sobre seu novo filme na 66ª edição do Festival de Berlim, o ator americano surpreendeu e se mostrou mais disposto a tratar da crise de refugiados.

"Quero conversar amanhã com a chanceler Merkel sobre esse tema. Quero ver o que podemos fazer", disse ele, na abarrotada entrevista coletiva para a apresentação de Ave, César! (previsto para estrear no Brasil em abril), o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen que abriu o festival, embora fora da competição.

O galã falou sobre seu compromisso com as vítimas de Darfur e disse estar interessado em levar o conflito sudanês ao cinema, o que ainda não conseguiu. "Não é fazer qualquer coisa sobre o tema, mas, sim, fazer um bom filme", disse, ao explicar as dificuldades de levar este tipo de projeto à telona.

Ao ser perguntado por que não fazia uma segunda parte de Syriana (2005), agora focada na questão dos refugiados, Clooney se esquivou e disse que o cinema sempre vai "atrás dos eventos".

A insistência dos jornalistas gerou impaciência e até irritação, quando ele se achou pressionado sobre um compromisso sincero com essa crise.

"E você? O que faz pelos refugiados?", respondeu rispidamente a uma jornalista, que em tom tranquilo lhe deu uma longa explicação sobre seu trabalho como voluntária com refugiados.

A migração, e suas múltiplas variantes e perspectivas, é o eixo temático da 66ª edição da Festival de Berlim, por decisão do diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, e coincidindo com as tensões geradas na Alemanha com a chegada de 1,1 milhão de refugiados no ano passado.

Clooney está na capital alemã acompanhado de sua esposa Amal, advogada e ativista dos direitos humanos, o que torna a temática ainda mais presente em seus comparecimentos perante a imprensa.

Esta e outras questões latentes estiveram presentes também na entrevista coletiva da atriz americana Meryl Streep, presidente do júri.

"Todos somos africanos, na realidade", disse ela com ironia, ao ser questionada sobre o fato de o júri ser 100% branco.

Atualmente, a bancada é formada pelo ator britânico Clive Owen, o intérprete alemão Lars Eidinger, o crítico britânico Nick James, a fotógrafa francesa Brigitte Lacombe, a atriz italiana Alba Rohrwacher e a diretora polonesa Malgorzata Szumowska.

A atriz, que estreia no Festival de Berlim como presidente de um júri, afirmou seu claro compromisso com "inclusão", acima das diferenças de sexo, raça ou religião, e destacou que, no que se refere à igualdade de gênero, em seu júri há um claro domínio feminino. / Com AP e EFE

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