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Cultura

Hollywood

Filmes de antigamente inspiram a trama de 'Horas Decisivas'

Trata-se da história de um personagem real, que comandou um barco para resgatar 32 homens em um navio partido ao meio

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Mariane Morisawa,
ESPECIAL PARA O ESTADO

23 Fevereiro 2016 | 21h14

LOS ANGELES - Nem todo herói de Hollywood é bonito, de fala segura e postura ereta. Tirando a beleza, Bernie Webber (Chris Pine) e Ray Sybert (Casey Affleck), personagens de Horas Decisivas – em cartaz nos cinemas –, de Craig Gillespie, não têm nenhuma das outras qualidades clássicas. “Claro, é bom ver heróis musculosos, bronzeados e de longos cabelos”, brincou Pine em entrevista em Los Angeles. “Mas Bernie pode ser qualquer um: seu vizinho, seu pai, você. A força motriz aqui é o medo, é não saber se é bom o bastante.”

Mas ele é – ou foi. Bernie é baseado num personagem real, que comandou um pequeno barco da Guarda Costeira numa tempestade de neve e chuva, na costa de Massachusetts, em 1952, e resgatou 32 homens a bordo de um navio partido ao meio, com a ajuda de Richard (Ben Foster), Ervin (John Magaro) e Andy (Kyle Gallner). Do lado de lá, o engenheiro Ray Sybert é um sujeito de poucas palavras obrigado a assumir o papel de líder depois de todos os oficiais perecerem no mar. Ele conseguiu manter o resto da embarcação navegando até a chegada de Bernie. “Ele é muito calmo. Não é o mais falante nem o mais machão”, afirmou Affleck. “Temos muitos desses na cultura pop. É interessante ver o cara com personalidade de bibliotecário ser o herói.”

A história é do tipo que a Disney, o estúdio por trás do filme, adora. Os dois sujeitos não fizeram o que fizeram para receber elogios. “Andy Fitzgerald, que estava no barco, não contou para sua mulher o que tinha feito até três anos depois do casamento”, contou Pine. “Quando quiseram saber por que, ele respondeu: ‘Porque ela não perguntou’.” A mensagem de união e esperança é bem-vinda no mundo de hoje, cada vez mais individualista e dividido, acredita o diretor. “Naquela geração, era o que você fazia. Não era por prêmios ou elogios, nem para fazer bonito nas mídias sociais.”

Tirando os efeitos visuais sofisticados usados nas cenas de tempestade, o filme tem um ar clássico. “Sentia que estava no estúdio da MGM, em 1955. Deixei isso informar minha interpretação. Não ficava pensando se estava exagerado. Era atuação de um outro tempo, bem diferente do que tinha feito antes”, disse Pine. Em sua cabeça, estavam atores como Gregory Peck e James Stewart. Para Holliday Grainger, que faz a namorada de Bernie, o modelo foi Katharine Hepburn. Sua Miriam não é uma personagem acessória, que apenas chora pela volta do amado. Ela desafia o chefe de Bernie, Daniel Cluff (Eric Bana), coisa que nem seu namorado tem coragem de fazer. “Miriam leva em conta seu instinto, e isso supera seu temor de desafiar as convenções. Uma mulher dessas hoje em dia também seria considerada forte”, afirmou a atriz inglesa.

“Muitos amigos vieram me perguntar o que tinha me possuído para querer fazer um filme desses”, disse o australiano Gillespie. “Mas é tão raro achar um roteiro que empolgue que você coloca a dor de lado.”

 

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