Filmes brasileiros invadem Festival de Locarno

Festival de cinema suíço traz produções nacionais e conta com a presença do cineasta israelense Amos Gitai

Rui Martins, especial para o estadao.com.br

08 Agosto 2005 | 20h08

Desta vez, o Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, que começa nesta terça, 5, e vai até o dia 16, tem uma profusão de filmes brasileiros.   Cao Guimarães, no júri da mostra Cineastas do Presente, mostra seus filmes Andarilho e O Homem das Multidões, feito em parceria com Marcelo Gomes; Kiko Goifman exibe a co-produção germano-brasileira Filmefobia; Cláudio Assis mostra o filme Baixio das Bestas; Eduardo Coutinho leva Jogo de Cena e João Sales traz o filme Santiago.   Na lista dos filmes brasileiros há ainda os curtas Dez Elefantes de Eva Randolph, Jardim Invisível de Roberto Bellini, Saltos de Gregório Graziosi, Sebastião - o Homem que Bebia Querosene de Carlosmagno Rodrigues e Solidão Pública de Daniel Aragão.   Nem na época do Cinema Novo, quando Locarno mostrava sua predileção pela produção brasileira, havia tantos filmes nacionais. Influência, sem dúvida, do diretor do festival, Frédéric Maire, ligado no mundo latino, já anunciando sua partida, em agosto de 2009, para dirigir a Cinemateca Suíça.   As projeções começam nesta quarta-feira, num telão de cerca de 200 metros quadrados ao ar livre, na Piazza Grande, com um filme assinalando o retorno da atriz inglesa Emma Thompson, num filme baseado na novela inglesa Brideshead Revisited e dirigido por Julian Jarrold. A história de amor se passa no clima da decadência inglesa entre as duas guerras mundiais. Lançado nos EUA em julho, com boa recepção da crítica, o filme tem estréia européia em Locarno e deverá reunir um público de mais de sete mil pessoas.   Uma das primeiras atrações de Locarno será a presença do cineasta israelense Amos Gitai, cujos filmes provocam controvérsias em Israel pela posição crítica de Gitai no que se refere às relações de seu país com os palestinos. Premiado em Cannes, há três anos, Gitai receberá o Leopardo de Honra por seus filmes, iniciados na época da guerra do Yom Kippur, quando começou a filmar com uma câmera super-8.   Serão exibidos quatro filmes do diretor Gitai, entre eles o mais recente, co-produção franco-alemã Mais Tarde Você Compreenderá. Depois de um encontro com a imprensa, Gitai dialogará com o público, no Forum de Locarno, no qual o tema central será, sem dúvida, sua interpretação da crise israelo-palestina.   São 17 os filmes da competição internacional, todos eles de diretores com um máximo de três filmes. A temática social predomina nos filmes vindos de 16 países. Entre eles uma rara co-produção lusitano-brasileira, Um Amor de Perdição, do cineasta português Mario Barroso.   Os filmes brasileiros estão nas mostras paralelas Cineastas do Presente, na competição de curtas-metragens, na mostra Play Forward que privilegia obras de vanguarda, na mostra Open Doors com produções experimentais de países emergentes.

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