Assine o Estadão
assine

Cultura

Woody Allen

Filme de Woody Allen abrirá o 69º Festival de Cannes

‘Café Society’ será o terceiro filme do autor a inaugurar o evento

0

Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

29 Março 2016 | 20h52

É recorde absoluto – será o 14.º filme de Woody Allen na seleção do Festival de Cannes e o terceiro a inaugurar o maior evento de cinema do mundo. O festival começa somente em 11 de maio – e vai até 22 –, mas na terça, 29, a organização anunciou o filme de abertura, e é Café Society. O novo longa escrito e dirigido por Allen passa-se em Hollywood, nos anos 1930. É interpretado por Kristen Stewart e Jesse Eisenberg. Ele faz aspirante a escritor que desembarca em Los Angeles sonhando fazer carreira no cinema. Pode até não virar o roteirista que espera, mas descobre o amor e, como o próprio Woody Allen em Cannes, vira figura carimbada no café society da época. Kristen tornou-se uma celebridade internacional na série Crepúsculo. Suas escolhas posteriores a têm feito brilhar no registro do cinema de autor. Cannes já a viu esplendorosa em On the Road, de Walter Salles, e Acima das Nuvens, de Olivier Assayas. Eisenberg faz atualmente o vilão Lex Luthor em Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça, de Zack Snyder.

O longa com os super-heróis das HQs tem dividido os críticos, mas faz grande sucesso de público em todo o mundo. No Brasil, a empresa Warner anuncia que teve a maior abertura de todos os tempos no País, superando todos os demais pesos pesados (Star Wars, Avengers, Harry Potter, Crepúsculo, etc.). Thiérry Frémaux, diretor artístico de Cannes, responsável pela seleção oficial que inclui os filmes da competição e os da mostra Un Certain Regard, já anunciou que só vai divulgar a lista de 20 filmes deste ano na quinta-feira, 14 de abril. Há expectativa de que o Brasil volte à competição com o novo longa de Cacá Diegues, O Grande Circo Místico, mas são apenas conjeturas. De concreto mesmo, sabe-se que o júri do 69.º Festival de Cannes será presidido por George Miller, diretor de Mad Max – Estrada da Fúria, exibido fora de concurso no ano passado, e também que o cartaz reproduz uma imagem emblemática de O Desprezo.

Será a primeira vez que um australiano presidirá o festival. Em sucessivas entrevistas, Miller manifestou seu entusiasmo por exercer a função – “Que deleite sem reservas! Estar lá, no meio deste festival cheio de história, presenciando a revelação de tesouros cinematográficos de todo o planeta e participando de conversas apaixonadas com colegas do júri, todos amantes de cinema. É uma honra e tanto.” Na imagem do pôster, o ator Michel Piccoli aparece subindo uma longa escada no meio do Mediterrâneo. Quem acompanha o festival sabe que todas as sessões são precedidas por uma vinheta que representa uma escadaria levando à Palma de Ouro, o prêmio maior outorgado pelo evento. Piccoli, que completou 80 anos em dezembro (dia 27), também foi escolhido para abrir o tapete vermelho deste ano. “É uma escolha simbólica, uma vez que este filme sobre a realização de um filme – considerado por muitos como um dos melhores de todos os tempos em CinemaScope – teve um impacto considerável sobre a história do cinema e da cinefilia”, destacou o comunicado que acompanhou a divulgação do pôster.

O Desprezo não deixa de ser o mais ‘clássico’, ou na verdade o filme de Jean-Luc Godard mais próximo de uma narrativa clássica. É uma adaptação do romance de Alberto Moravia e apresenta o mestre expressionista Fritz Lang como um diretor que tenta realizar uma versão da Odisseia somente com estátuas. Michel Piccoli é o roteirista casado com a personagem de Brigitte Bardot – em 1963, ano da realização, ela ainda era a maior estrela da França. Na ficção de Godard, Brigitte tem um affair com o produtor (Jack Palance). A tese de Godard – a mulher moderna não espera seu homem, como Penélope na saga homérica, justamente porque o homem moderno também perdeu a linhagem de Ulisses.

Octogenário como Piccoli – nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 1.º de dezembro de 1935 –, Woody Allen participou pela primeira vez da seleção oficial de Cannes em 1979, com Manhattan. Voltou com Broadway Danny Rose, em 1984, e tornou-se assíduo na Croisette. No ano passado, participou de novo da seleção, pela 13.ª vez, com O Homem Irracional. Anteriormente, inaugurou o festival com Dirigindo no Escuro, em 2002, e Meia-Noite em Paris, em 2011. Carla Bruni, casada com o então presidente da França, Nicholas Sarkozy, tem um pequeno papel no segundo.

O comunicado de Cannes destaca que Café Society foi fotografado por Vittorio Storaro. Lembra que o chamado ‘poeta da luz’ foi jurado em Cannes e recebeu três vezes o Oscar – por Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, em 1980, e no ano precedente o filme dividiu a Palma de Ouro com O Tambor, de Volker Schlondorff; por Reds, de Warren Beatty, em 1982; e O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, em 1988. Como é tradição na França, o filme que inaugura Cannes estreia no mesmo dia em salas de todo o país. É o que vai ocorrer com Café Society, antecedendo o lançamento do filme nos Estados Unidos.

Comentários