Loic Venance/AFP
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Filme com Javier Bardem e Penélope Cruz abre o Festival de Cannes

'Everybody Knows' é dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi

AFP

08 Maio 2018 | 15h56

O casal Javier Bardem e Penélope Cruz no tapete vermelho, Cate Blanchett presidente de um júri comprometido com a causa das mulheres, num ambiente politizado: o Festival de Cannes inicia nesta terça-feira, 8, à noite sua 71ª edição.

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O diretor iraniano Asghar Farhadi, premiado inúmeras vezes em Cannes e com o Oscar, será o responsável por abrir as festividades com o filme Everybody Knows.

Nesta terça-feira, Farhadi expressou seu apoio a seu compatriota Jafar Panahi, que também disputará a Palma de Ouro e que foi proibido de viajar.

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"Temos que tentar. Tomar todas as medidas possíveis para expressar apoio e fazer com que possa vir. Mas não devemos esquecer que o mais importante para ele e para um cineasta é que seu filme seja visto", explicou à AFP.

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O dissidente Panahi, que dirigiu Three Faces, provavelmente não poderá apresentar pessoalmente seu filme em Cannes, por ter sido proibido pelas autoridades iranianas de trabalhar e viajar.

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Esta manhã foram instaladas as grades de segurança no Palácio dos Festivais, onde alguns paparazzi e fãs guardavam lugar em suas escadas, se preparando para horas de espera até a chegada de Penélope Cruz.

Todos lo Saben, que será exibido ao final da cerimônia de abertura apresentada por Edouard Baer, vai abrir a disputa pela Palma de Ouro.

O filme em espanhol reúne as estrelas Javier Bardem e Penélope Cruz em um drama familiar com ares de thriller hitchcockiano.

Má Educação, de Pedro Almodóvar, foi o último filme de abertura de Cannes não falado em inglês ou francês, em 2004.

O filme do diretor iraniano, famoso por Separação será o primeiro dos 21 longas-metragens que concorrerão à Palma de Ouro até o dia 19 de maio.

Cineastas sob vigilância. Entre os filmes selecionados estão os trabalhos mais recentes de Jean-Luc Godard (Le Livre d'image) e do americano Spike Lee (BlacKKKlansman), de volta à disputa da Palma de Ouro após 27 anos.

Dos 21 cineastas na disputa, 10 estão competindo pela primeira vez, incluindo o japonês Ryusuke Hamaguchi, a libanesa Nadine Labaki, o egípcio Abu Bakr Shawky - com seu primeiro filme Yomeddine -, os franceses Eva Husson e Yann Gonzalez.

O iraniano Panahi e o russo Kirill Serebrennikov, cineastas sob vigilância em seus países, também foram selecionados.

Na segunda-feira, o diretor-geral do Festival, Thierry Frémaux, reconheceu que não estava otimista quanto a possível presença do iraniano, cujo filme será exibido no sábado.

O júri será presidido pela atriz australiana Cate Blanchett, uma feminista engajada que se tornou nos últimos meses uma figura na luta contra o assédio sexual através do movimento Time's Up.

A atriz francesa Léa Seydoux, uma das acusadoras do produtor americano Harvey Weinstein, também está no júri, assim como a atriz Kristen Stewart e a diretora americana Ava DuVernay.

Um júri majoritariamente feminino para uma edição em que Weinstein, acusado de assédio e estupro por uma centena de mulheres, estará ausente, mas presente na mente de todos.

Sinal desta nova era, cada participante receberá um panfleto lembrando que em Cannes será "exigido um comportamento correto", com menção de um número de telefone para qualquer vítima ou testemunha de assédio sexual, e uma recordação das penalidades máximas, três anos de prisão e 45.000 euros de multa.

Também haverá no sábado um desfile no tapete vermelho 100% feminino, "dedicado às mulheres do cinema", segundo Thierry Frémaux.

"Acredito que haverá mudanças extremamente positivas graças a este escândalo", disse nesta terça-feira Cate Blanchett na rádio France Inter.

"Se as coisas mudarem em nossa indústria, espero que inspire mudanças em outros setores", afirmou Penélope Cruz.

 

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