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Festival do Rio acerta ao premiar 'Redemoinho', de Villamarim

Evento promoveu uma bela Première Brasil com filmes polifônicos sobre a realidade brasileira; veja a lista completa dos premiados

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2016 | 12h28

RIO - Crítico e curador da Semana da Crítica no Festival de Cannes, o francês Charles Tesson foi a presença internacional no júri do Festival do Rio 2016, também integrado pelo ator Rodrigo Santoro e pelas diretoras Maria Augusta Ramos e Sandra Kogut. Promoveram um loteamento raramente visto na Première Brasil. Sobrou Redentor para quase todo mundo. O grande derrotado talvez tenha sido O Filho Eterno, que Paulo Machline adaptou do livro de Cristóvão Tezza e que não recebeu nenhum prêmio. Mas derrotados também foram, pelo júri oficial, o potente Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, e Divinas Divas, a estreia na direção da atriz Leandra Leal. Foram os melhores filmes das mostras competitivas de ficção e documentário, com o acréscimo de Redemoinho, de José Luiz Villamarim, na primeira.

O júri outorgou seu prêmio especial a Redemoinho e o de montagem a Era o Hotel Cambridge. O público, com mais sabedoria que o júri, premiou Era o Hotel Cambridge como melhor filme de ficção e Divinas Divas como melhor documentário. Divinas Divas recebeu também o Prêmio Félix de documentário, para o melhor filme de temática LGBT. Do júri oficial, não recebeu nada. Tesson e seus colegas jurados dividiram o Redentor de melhor ficção e direção da categoria entre Fala Comigo, de Felipe Scholl, e Cristiane Oliveira (por Mulher do Pai). Também dividiram os prêmios de melhor documentário e direção da categoria entre A Luta do Século, de Sérgio Machado, e Sergio Oliveira (por Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos). Quase como exceção, o prêmio de melhor atriz foi para Karine Teles, que ganhou sozinha, por Fala Comigo. O prêmio de melhor ator foi rateado entre três - Nelson Xavier, por Comeback, de Erico Rassi, e Júlio Andrade, por dois filmes (dois!), Redemoinho e Sob Pressão, de Andrucha Waddington. Até no prêmio de fotografia, o júri não conseguiu se decidir, dividindo o Redentor entre Heloisa Passos, por Mulher do Pai, e Fernando Lockett, por Super Orquestra.

A uruguaia Veronica Perrotta, que venceu melhor atriz em Gramado por  Las Toninas van al Este, filme que também dirigiu, foi a melhor coadjuvante por Mulher do Pai. O melhor coadjuvante foi Stepan Nercessian, por Sob Pressão. Então Morri, de Bia Lessa e Dany Roland, foi o melhor filme da mostra Novos Rumos. A crítica premiou Viejo Calavera, de Kiro Russo, da Bolívia, e Era o Hotel Cambridge. Foi uma bela Première Brasil, com filmes polifônicos sobre a realidade brasileira, mas o júri não precisava ter distribuído 13 prêmios entre 11 filmes. Divinas Divas e Era o Hotel Cambridge não foram apenas grandes filmes pelos temas - o mundo transgênero e as ocupações urbanas, os refugiados -, mas também pela forma transgressora. 

A premiação ocorreu na noite de domingo, 16. No sábado, 15, passou, fora de concurso, Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant. O longa sobre o ator Antônio Pitanga é uma rara celebração humana, estética e política. Vem para a Mostra de São Paulo, que pretende, por meio deste filme e também de Birth of a Nation, de Nate Parker, promover um grande debate sobre racismo e exclusão social. Pitanga, o filme - o personagem -, é tão grande que se fosse preciso escolher um só filme entre os quase 300 do Rio, seria esse. O filme de encerramento foi o argentino O Cidadão Ilustre, de Gastón Duprat e Mariano Cohn, que disputa com O Pequeno Segredo, de David Schürmann, a indicação para o Oscar. O argentino, há que reconhecer, é (muito) melhor.

Veja a lista completa dos premiados da Festival do Rio 2016:

Mostra Première Brasil:  

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO -  Fala Comigo, de Felipe Sholl

MELHOR LONGA-METRAGEM DE DOC -  A Luta do Século, de Sérgio Machado

MELHOR CURTA-METRAGEM - O Estacionamento, de William Biagioli 

Menção Honrosa curta-metragem - Demônia, um Melodrama em 3 atos, de Fernanda Chicollet e Cainan Baladez

MELHOR DIREÇÃO DE FICÇÃO -  Cristiane Oliveira por Mulher do Pai

MELHOR DIREÇÃO DE DOC - Sérgio Oliveira por Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos 

Menção Honrosa Direção de Documentário - Marcos Prado, por Curumim

MELHOR ATRIZ – Karine Teles por Fala Comigo

MELHOR ATOR – Nelson Xavier, por Comeback e Julio Andrade por Redemoinho e Sob Pressão

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – Verónica Perrotta por Mulher do Pai

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Stepan Nercessian por Sob Pressão

MELHOR FOTOGRAFIA – Fernando Lockett por Superorquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos e Heloisa Passos por Mulher do Pai

MELHOR MONTAGEM -  Marcio Hashimoto por Era o Hotel Cambridge

MELHOR ROTEIRO -  Martha Nowill e Charly Braun por Vermelho Russo

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – Redemoinho, de José Luiz Villamarim

Mostra Novos Rumos:  

MELHOR FILME -  Então Morri, de Bia Lessa e Dany Roland

MELHOR CURTA -  Não me prometa nada, de Eva Randolph

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI -  Deixa Na Régua, de Emílio Domingos

Menção Honrosa - Layla Kayã Sah pela atuação (Janaína Overdrive, de Mozart Freire)

Voto Popular:

MELHOR LONGA FICÇÃO: Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

MELHOR LONGA DOCUMENTÁRIO:  Divinas Divas, de Leandra Leal

MELHOR CURTA:  Demônia, um Melodrama em 3 atos de Fernanda Chicollet e Cainan Baladez

PRÊMIO DA CRÍTICA  FIPRESCI: 

- Viejo Calavera, de Kiro Russo

- Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

PRÊMIO FELIX

Melhor Longa Ficção:  Rara (Estranha), de Pepa San Martin

Melhor Longa Doc:  Divinas Divas, de Leandra Leal

Prêmio Especial do Júri: Love Snaps, de Daniel Ribeiro e Rafael Lessa

Prêmio Suzy Capó Personalidade Felix de 2016:  Lea T

Mostra Geração:

VENCEDOR DO JURI POPULAR:  Bruxarias Brujerías de Virginia Curiá -  Animação/ Espanha / Brasil

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