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Festival de Brasília consagra "Amarelo Manga"

Agencia Estado

27 Novembro 2002 | 16h 29

Estava escrito nas estrelas: Amarelo Manga, do pernambucano Cláudio Assis, confirmou sua condição de favorito do 35.º Festival de Cinema de Brasília, ganhando os prêmios de melhor filme em três segmentos: júri oficial, júri popular e crítica. Além desses, o longa ganhou ainda os troféus de fotografia (Walter Carvalho), montagem (Paulo Sacramento), ator (Chico Diaz) e o São Saruê, dado pelo jornal Correio Braziliense. Dois Perdidos numa Noite Suja, que havia ido muito mal no Festival de Gramado, recuperou-se em Brasília e leva para casa os prêmios de direção (José Joffily), atriz (Débora Falabella) e roteiro (Paulo Halm). Foi além do que devia. Já Desmundo, bonito e competente filme histórico de Alain Fresnot, ficou aquém do que se previa: ganhou apenas trilha sonora (John Neschling) e atriz coadjuvante (Berta Zemel). É o grande perdedor do festival, mais do que Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio, que saiu de mãos vazias porque dele não se esperava nada mesmo. Duas produções fora dos padrões, como A Festa de Margarette e Cama de Gato, também foram lembradas. A primeira com um prêmio especial do júri para o diretor estreante Renato Falcão e uma estapafúrdia estatueta para a direção de arte. A segunda com o troféu de coadjuvante para Rodrigo Bolzan - o que também parece estranho, pois ninguém predomina no trio de intérpretes principais do filme. Como então distinguir protagonistas de coadjuvantes? Assim, na premiação de longas, o júri acertou no principal e vacilou no detalhe. Por exemplo: será que a interpretação de Débora Falabella em Dois Perdidos é superior à de Simone Spoladore em Desmundo ou à de Dira Paes em Amarelo Manga? Dira, pelo menos, teve o consolo de um prêmio especial do júri, pois atuou em três longas do festival: Amarelo Manga, Lua Cambará e Celeste & Estrela. Simone é preterida em Brasília pela segunda vez consecutiva. Ano passado, com Lavoura Arcaica; neste, com Desmundo. Mas, como se comentava nos bastidores, o maior absurdo foi o troféu de direção de arte ter ido para Rodrigo Lopez, de A Festa de Margarette, e não para Adrian Cooper e Chico Andrade, de Desmundo. Essa premiação não se sustenta em qualquer análise técnica. É um equívoco conceitual. Limitações - Assim como é equivocada, em seu conjunto, a premiação de curtas. Como explicar que um filme-piada como No Bar, de Cleiton Stringhini e Paulo de Tarso Mendonça, tenha acumulado os prêmios de melhor filme e direção, além do júri popular? Os próprios diretores, conscientes das limitações desse curta de estréia, pareciam atônitos com a premiação. Como atônitos ficaram alguns cineastas presentes à festa. Um delas observou, com razão, que o problema não eram os prêmios em si, mas sim o incentivo que eles significavam para produtos tolinhos de feitio televisivo, como no No Bar. O comentário não poderia ser mais justo. No mais, tudo correu bem e de forma polida, se compararmos com edições passadas nas quais houve até briga física, troca de insultos e troféus candangos jogados na lata do lixo. Neste ano, é verdade, viram-se cobranças públicas de cineastas a jurados e a jornalistas, caras fechadas, cumprimentos não respondidos, mas não se passou disso. Quem conhece os padrões de civilidade do cinema brasileiro não pode deixar de elogiar essa conduta digna de um manual de boas maneiras. A festa de premiação, no Teatro Nacional Cláudio Santoro foi correta e simples, com apresentação do músico Túlio Mourão antes da distribuição de troféus. O mais contente, claro, era o diretor Cláudio Assis. Ele não se cansava de repetir ao microfone uma das suas expressões favoritas, enfática, mas que não pode ser publicada em jornal de família. Já consciente de sua nova responsabilidade de vencedor, Assis dedicou os prêmios ao fotógrafo Hélio Silva (de A Hora e a Vez de Augusto Matraga), que está doente e em péssimas condições financeiras.

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