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ESTREIA–Drama "Amor Fora da Lei" homenageia o cinema de Terrence Malick

REUTERS

09 Julho 2014 | 19h 33

“Amor Fora da Lei”, de David Lowery, é um filme que se constrói em suas pequenas frustrações dos momentos, das cenas, dos diálogos – ou seja, na forma e no conteúdo. É uma história de amor que cresce em suas fraturas, as do não-dito, as do não- vivido, em pequenos olhares quase furtivos. A boa fotografia, assinada por Bradford Young, e seu lirismo quase mudo faz lembrar a obra do cineasta Terrence Malick.

Lowery, no entanto, é um diretor que faz uma homenagem, mas não copia. O que ele mais evoca é o primeiro filme de Malick, “Terra de Ninguém” (1973), protagonizado por Sissy Spacek e Martin Sheen, sobre um casal em fuga na Dakota do Sul.

Aqui, o cenário e os tempos são outros, mas o amor em fuga ainda é o tema. Bob (Casey Affleck) é um bandido que vive de pequenos expedientes. Quando vai preso, resolve fugir para reencontrar a mulher, Ruth (Rooney Mara), e a filha que nunca conheceu.

O filme começa com ela grávida, dizendo que vai abandoná-lo. O fato de esperar uma criança, aliás, é a única coisa que impediu de a levarem presa também, pois o casal se envolveu num tiroteio.

Quando algemados, os dois ainda conseguem tocar as mãos naquela que parece ser a última vez. É um momento tão poético quanto tenso dentro do filme. Bob é condenado a 25 anos, enquanto Ruth fica livre e cuidará da filha deles. Anos mais tarde, quando a garota está com quase 4 anos, ele reaparece.

Lowery, que também assina o roteiro, não parece adepto das obviedades – na verdade, está mais interessado nas contenções.

A narrativa aqui pouco se importa com uma trama que se explique totalmente: há lacunas, espaços que esperam ser completados, alguns até por uma espécie de livre associação. É um filme que espera mais de seu público do que a média de Hollywood cuja produção costuma ser exageradamente reiterativa.

Um dos personagens mais enigmáticos é Skerritt, vizinho de Ruth e sua filha (vivida pelas gêmeas Jacklynn e Kennadie Smith), que é interpretado por Keith Carradine - e sua presença aqui diz muito.

O filme é situado nos anos de 1970, e ninguém melhor que o ator para ajudar na construção desse clima – ele que naquela época participou de filmes como “Nashville” e “Renegados até a última rajada”, ambos de Robert Altman.

A outra figura importante dentro de “Amor Fora da Lei” é Patrick Wheeler (Ben Foster), um policial que foi ferido durante o tiroteio que causou a prisão de Bob. A presença dele próxima a Ruth e sua filha é intrigante: quer vingança ou substituir o pai e marido ausente? Eis mais um dos mistérios de “Amor Fora da Lei”.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb