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ESTREIA-Mathieu Amalric interpreta professor suspeito de crime em suspense francês

Diante da enxurrada de thrillers óbvios, ou filmes de suspense que miram mais os sustos banais do que um eficiente desenvolvimento de roteiro, é bem-vinda a tentativa de originalidade do francês “O Amor É Um Crime Perfeito”.

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REUTERS

02 Julho 2014 | 16h21

Dirigido pelos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieux (de “Pintar ou Fazer Amor”, de 2005), o filme adapta o romance “Incidences”, de Philippe Djian (autor de “Betty Blue”, origem do filme cult de 1986) e é protagonizado pelo sempre magnético ator Mathieu Amalric.

Amalric entra muito naturalmente na pele do professor universitário Marc, que leciona criação literária na Universidade de Lausanne, na Suíça – cujo design futurista, com grandes janelas e rampas no meio de um cenário repleto de neve oferece rapidamente um paralelo com um lugar fora do comum, quase uma paisagem espacial.

A estranheza, no entanto, nasce mais das relações humanas desta história, em que Marc faz jus à fama de conquistador das inúmeras belas alunas jovens que frequentam seu curso – e que ele costuma levar à sua casa, um refúgio reservado, no alto de uma montanha, que ele divide com a irmã, Marianne (Karin Viard).

Quando desaparece uma de suas alunas e conquistas, Barbara (Marion Duval), o professor se torna alvo de suspeitas. Ao mesmo tempo, a madrasta da moça, Anna (Maiwenn), passa a procurá-lo. A princípio, parece apenas querer saber informações sobre a enteada. Mas logo surge uma forte atração entre ela e Marc.

Ao mesmo tempo, aparecem indícios do estranho relacionamento que une Marc e sua irmã, pontuado pelo ciúme e pela manipulação mútua, e também, por parte dela, de um flerte com Richard (Denis Podalydès), chefe do departamento de Literatura a que Marc está subordinado e apaixonado por Marianne.

É de jogos de sedução e poder que trata realmente esta história, que tira partido de um notável elenco, em que se sobressai outra aluna de Marc, Annie (Sara Forestier) – cuja impetuosidade acrescenta algumas doses de perigo a situações já bastante tensas.

Mais do que um thriller voltado a desvendar a ocorrência de algum crime, o enredo foca em expor a incapacidade de diversos personagens em lidar com suas próprias obsessões, tendo ou não total consciência delas. Por essa dedicação em apagar as próprias pistas e liberar algumas pequenas surpresas em doses homeopáticas é que o filme merece maior atenção.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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