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ESTREIA-'Jack - O Caçador de Gigantes' traz histórias e efeitos especiais

Reuters

28 Março 2013 | 16h 32

Erra o espectador se pensar em "Jack - O Caçador de Gigantes" como uma adaptação do clássico "João e o Pé de Feijão" com esteroides. Embora claramente dialogue com o conto universal, o roteiro do filme também é inspirado em uma das histórias arturianas (aquelas do Rei Arthur e Camelot), transformando o que se vê na tela num mosaico um tanto desconexo para quem não conhece as histórias.

No entanto, torná-las complementares faz sentido quando analisado o filão de produções sobre contos de fada, muito em voga - em que "João e Maria: Caçadores de Bruxas" é exemplo. Era preciso torná-la uma história de ação constante e com doses de humor, cujos efeitos especiais elevassem tudo o que se vê na tela a uma espécie de desenho animado delirante para adultos.

Assim, do primeiro conto desapareceram a fada, a mãe, a galinha dos ovos de ouro, a harpa encantada e a moral escroque do final da história, que emperrariam a trama. Já do segundo, foram trazidos o contexto de batalha, o reino a ser protegido, a princesa em apuros e o aporte exponencial de gigantes ao enredo. Vê-se aí a miscelânea.

Jack (Nicholas Hoult, de "Fúria de Titãs") é um garoto pobre que sonha com uma antiga lenda sobre gigantes que dominavam a região: em luta contra os humanos, eles foram banidos para uma terra encantada, entre o céu e a terra, graças a uma coroa mágica de um antigo rei (tudo mostrado em prólogo em animação).

Ao ir à cidade vender um cavalo a pedido do tio, Jack não apenas encontra e se apaixona pela princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson, de "Alice no País das Maravilhas"), como também acaba recebendo como moeda de troca um punhado de feijões pelo animal. Essas sementes, na verdade, fazem parte de um plano do vilão Roderick (Stanley Tucci) para chegar ao reino dos gigantes (um continente flutuante no céu) e torná-los seus escravos graças à tal coroa mística. Assim, assumiria o reino sem precisar casar com a princesa.

Quando volta à casa do tio, onde leva um safanão pela troca descabida, Jack encontra a princesa que fugiu do castelo. O clima de paixão, porém, é interrompido quando um dos feijões cai na água, fazendo com que brote um pé gigantesco que leva não só a princesa, como a própria casa para as alturas.

Apaixonado, Jack acompanha o exército do reino, liderado por Elmont (Ewan McGregor), na escalada para encontrar a princesa, a esta hora, nas mãos dos gigantes. Roderick, por sua vez, coloca seu plano em prática ao acompanhar a comitiva de resgate.

O problema de todo esse argumento é que a conta, no fim, não fecha. Da idiotia dos gigantes, às caricaturas encenadas, em especial por Stanley Tucci e Ewan McGregor, os personagens são muito frágeis e maçantes. Mesmo nas principais cenas de ação, o diretor Bryan Singer (de "Operação Valquíria"), erra a mão com equívocos primários, em que os tempos não obedecem à lógica da situação.

Vê-se, portanto, que não é por acaso que as bilheterias americanas ficaram muito abaixo das expectativas da Warner (28 milhões de dólares no fim de semana de estreia). O valor é considerado pequeno pelos executivos do estúdio, já que o filme custou quase 200 milhões de dólares.

O filme circula em versões convencionais, 3D e IMAX 3D, dubladas e legendadas.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb