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ESTREIA-Comédia romântica belga 'Bistrô Romantique' exagera nos clichês

REUTERS

20 Agosto 2014 | 16h 31

A produção belga "Bistrô Romantique" é o genérico europeu para as comédias românticas de Hollywood. Assim, não será nenhuma surpresa se daqui a alguns anos o filme ganhar um remake americano, apesar de já se parecer com meia dezena de filmes feitos por lá.

O cenário limita-se ao restaurante do título. O longa de Joel Vanhoebrouck, que estreia em São Paulo, acompanha o entra e sai, os encontros e desencontros, na noite do Dia dos Namorados.

A ideia certamente não é nova – vide, por exemplo, “O Jantar” (98), de Ettore Scola. Os personagens poderiam ser o diferencial. Pascaline (Sara de Roo) é a dona do estabelecimento, uma mulher que subiu na vida com seu trabalho árduo, mas é solitária. Tem como companhia a sobrinha pequena, Emma (Zoe Thielemans), e eventualmente o irmão, Angelo (Axel Daeseleire).

Tudo está preparado para uma noite de casa cheia, mas o primeiro freguês a chegar já tira Pascaline dos eixos. É Frank (Koen De Bouw), amor de juventude dela que a abandonou, mas agora faz uma proposta tentadora. Logo chegam também o casal Roos (Barbara Sarafian) e Paul (Filip Peeters). Juntos há muitos anos, a relação parece estar em crise, e ela confessa ter um amante – algo de que ele, aliás, duvida.

Outra frequentadora que se destaca é Mia (Ruth Becquart), dona de uma famosa loja de chocolates da cidade, que vive uma decepção amorosa, e é consolada pelo garçom (Wouter Hendrickx). Na cozinha, desenrola-se também o conflito entre Pascaline e o irmão Angelo devido a anos de frustrações acumuladas.

Trabalhando a partir de roteiro de Jean-Claude Van Rijckeghem e Pat van Beirs, Vanhoebrouck parece confortável em lidar com as obviedades dos personagens e dos clichês da trama.

O que mais ajuda, na verdade, são os atores, que conseguem transformar em humanos personagens que, às vezes, mais parecem um display de papelão de saguão de cinema. Não que “Bistrô Romantique” seja desagradável – pelo contrário, às vezes, é até esforçado demais para tentar satisfazer o público, solicitando sua boa vontade de acreditar no ser humano.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb