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'Estranhos na Noite', sobre censura no 'Estado', é exibido em Campinas

- Atualizado: 02 Março 2016 | 19h 40

Documentário foi mostrado para estudantes da PUC

CAMPINAS - O documentário Estranhos na Noite: Mordaças no Estadão em Tempos de Censura, dirigido por Camilo Tavares, foi exibido na manhã da quarta-feira, 2, para 180 alunos de jornalismo da PUC-Campinas.

O evento, realizado no câmpus I da universidade, foi seguido de um debate com o jornalista e roteirista do filme, José Maria Mayrink, e o professor e sociólogo Arnaldo Lemos.

Foi a terceira exibição pública do documentário, que estreou no Museu da Resistência, em São Paulo, e depois foi visto na PUC de Minas Gerais.

Com 28 depoimentos de jornalistas, artistas e funcionários do jornal, além do ex-ministro Delfim Neto, o filme conta a história da atuação de censores dentro da redação de O Estado de S. Paulo a partir da decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968.

Irmãos em ação. Ruy Mesquita e Julio de Mesquita Neto
Irmãos em ação. Ruy Mesquita e Julio de Mesquita Neto

O jornal se tornou um dos maiores críticos do regime militar e passou pelos mais contundentes atos de censura contra a imprensa no Brasil, principalmente entre 1972 e 75.

Com a recusa de praticar a autocensura, o Estado e o Jornal de Tarde continuaram produzindo reportagens normalmente, mas publicando, como forma de protesto, parte de Os Lusíadas, poema clássico de Luis de Camões, e de receitas gastronômicas nos trechos que eram retirados pelos censores.

Os estudantes, dos quatro anos do curso de jornalismo da universidade, questionaram Mayrink sobre como era o sentimento dos jornalistas na época. “Na verdade, era de muito medo. Não havia heróis. Todos nós trabalhávamos no nosso dia a dia, mantendo nosso trabalho, mas temerosos do que poderia ocorrer”, afirma.

“Eu fui o primeiro jornalista a chegar na cena da morte do Carlos Marighella (ex-deputado e guerrilheiro morto pelos militares). Depois de fazer a reportagem, fui para minha casa, que era ao lado de onde viviam os dominicanos acusados de envolvimento com Marighella. Eram carros passando o tempo todo, com policiais e militares quer queriam prender os frades. Tive medo e, por precaução, queimei meus livros que poderiam ser considerados subversivos caso também fosse preso”, continuou o jornalista.

No documentário, além dos depoimentos sobre a censura, também há relatos sobre torturas, prisões e morte de jornalistas.

Estranhos na Noite será exibido na quarta-feira, dia 9 de março, na Escola de Comunicações e Artes da USP. No dia 17, será a vez da ESPM do Rio de Janeiro. No dia 22, o documentário vai ser mostrado no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e, dia 29, no Tuca, teatro da PUC. A Universidade de Brasília também terá uma exibição, com data a ser definida.

 

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